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16/05/2008

ainda o edita 2008

Arquivado em: ecos

umas quantas fotografias, aqui.

FMI - José Mário Branco (em 1979)

parte 1

parte 2

“…mãe eu quero ficar sozinho
mãe não quero pensar mais
mãe eu quero morrer
eu quero desnascer, ir-me embora
sem sequer ter que me ir embora…”

joão bentes

a mão suja (II)

Arquivado em: poemas, escrever é

não sei se desperto
mais familiar
com o estrondo do sol a nascer
ou a noite sugada pela luz

a mão vibra na ponta
da dormência do braço quebrado

Pedro Afonso
(anterior: I)

14/05/2008

publicado o rapaz-areia

Arquivado em: divulgação

Existiu em tempos uma ilha ao largo da costa do Algarve em tudo semelhante às que ainda hoje insistem em proteger esta ria que me fascina. Uma ilha extensa, toda de areia branca que evaporava e ruía à força das marés, dos ventos e do sol. Esta ilha, agora impalpável e improvável, naufragou sem deixar pistas. Toda ela areia e alguns barracos de madeira, os quais o mar tratou de lhes dar outros usos, e os barcos de quem lá os teve engolidos pelo tempo e pelas entranhas negras desta ria que os sustentou.

Não seriam nenhumas as provas da existência desta areia elevada do mar e da sua pequena povoação de pescadores se um evento extraordinário não me tivesse ocorrido. Ainda assim, as provas dessa existência deixarão dúvidas a quem quiser prová-lo topograficamente ou por outros meios físicos que nos servem de verdade. A minha certeza não vos chegará, com certeza, mas o que vos apresento nesta publicação deixar-vos-á no mínimo inseguros em relação a um nada que outrora foi.

Ficou hoje concluída a publicação de um conjunto de textos desse caderno que encontrei debaixo das águas ao largo da extinta ilha de Santa Lúcida.

Esse conjunto inédito de textos, intitulado rapaz-areia, continuará acessível aqui para quem não seguiu a publicação ou a quiser voltar a ler.

Pedro Afonso, o achador do caderno submerso.

palavras na mesa

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: jantar de despedida do brasileiro Valdir Rodrigues no Chalé de Bela Mandil. Ver o filme e seguir as imagens.

fep

13/05/2008

imagens e reflexos

O senhor Gato parece preocupado com o verso “Ele deixou a sua alma a marcar uma página”
do poema editado neste blogue. Diz o Gato que reconheceu na imagem da frase reflexos de outro poema do livro “Fragmentos” da autora Ana de Sousa. A rematar os seus comentários, sugere o Gato que o verso em questão está longe da originalidade. Pergunto: qual dos versos carece de originalidade? O que integra o meu poema escrito em 2000 e editado no meu blogue em 2003, ou o verso do poema de Ana de Sousa, cujo livro onde ele está inserido foi publicado em 2006? Será que estamos perante um comentário de alguém com o rabo a marcar a angústia e a solidão?

fep

12/05/2008

a mão suja (I)

Arquivado em: poemas, escrever é

mantém-se ainda a mão
sugada no lodo
o corpo foge até ao limite do braço
como se a não levasse
e dessa matéria negra o que me chega:

o frio do vácuo puxando
para o sem fundo

Pedro Afonso

da posse

Arquivado em: poemas

NUNCA NUNCA
NADA NADA NADA
PARA SEMPRE

joão bentes

10/05/2008

POEMAS SEM EMPREGO

Arquivado em: poemas

1.
a manhã nasce com as aves no peito das palavras
e já os olhos se abrem necessários para receber o dia
desejava o silêncio como água habitando as ilhas
desertas no corpo

2.
viajo de branco pelo passeio da memória
invento uma forma para sobreviver ao artesanato do tempo

3.
não há emprego para as palavras
desafiando o deserto em que escrevo
encosto a carne ao silêncio da voz
é um fio de sangue construindo o poema
vem do seio da língua crescendo

4.
junto às tábuas da tarde sente-se o mundo afastar-se
respiro a terra por dentro repleta de sonhos eliminados
aqui o fogo repousa na água carbonizada das chuvas
a magia da noite há-de explodir

5.
derramo na mesa os objectos que guardo nos olhos
trago sempre pedras para casa
cumpro a noite - adormeço com as palavras

fep

09/05/2008

palavras silêncio

Arquivado em: poemas

Foges do frio e da chuva
abandonas a cidade
o teu pensamento a guiar-te pelas ruas
o meu pensamento distante é suficiente
para te isolar da vida exterior
eu oiço o teu silêncio como se recolhesse
nos teus passos húmidos pelo caminho
as palavras que tu pensas até chegares a casa
escrevo o interior do teu quarto e o silêncio
é o teu olhar cansado numa folha cheia de palavras
moves-te pelo quarto numa dança luminosa
o medo é o som deste silêncio gravado à volta do teu quarto
se o silêncio fosse as grades das tuas palavras
o silêncio também seria a impossibilidade da minha escrita
mas eu escrevo o teu silêncio como se as palavras
fossem as paredes que fecham o teu quarto
eu também destruo o meu silêncio
contra tudo o que destruo em ti
e as minhas palavras transformar-se-ão no quarto
onde viveremos nessa destruição
porque o silêncio é a distância interior
profundamente habitada por um sentimento futuro
agora o nosso tempo é este som que escutas
nas palavras que lês do meu pensamento
ninguém destrói o silêncio
sem antes destruir a pessoa silenciosa
as minhas paredes são as palavras
que escutas no silêncio do meu pensamento
destruir o silêncio é ignorar as palavras
que se deseja sentir.

fep

08/05/2008

Só se pode ganhar se houver quem perca

Arquivado em: Das Grandes Questões

A Lei providencia que a vida quotidiana decorra nos limites do socialmente aceitável. A Lei são esses limites, na medida em que serve de instrumento de assimilação, de uniformização, de referência e chamada à Razão Arbitrária do que eventualmente se desvia, por excesso de nitidez no reconhecimento do que o estrema, na sua acção.

A Lei é, portanto, a actualização normativa que acompanha a evolução do comportamento Humano no seio do progresso civilizacional que conhecemos, em que vivemos. É uma regência flutuante, encolhendo e estendendo as fronteiras designadas da prosperidade colectiva.

Tratar-se-á, sempre, de uma questão de prevenção, que oferece uma leitura do movimento monótono das massas. O Homem pensa a Lei ao pensar-se em Si. Teme de forma antecipada as consequências. Só se pode ganhar se houver quem perca.

joão bentes

UM GELADO NO INVERNO

Arquivado em: poemas

Querida compreende a minha ilusão
e pensa que sou um gelado no inverno
que doce cabeça vazia a alimentar
salas de espera com conversas
sentadas no disparate imobiliário
e tu vens lamber o meu juízo em ruínas
na margem onde se instala o lobo à espera de comer
uma das tuas bonecas de trapinhos sentimentais
oh que solidão formidável quando o quarto está cheio
e a cama composta de teias de aranha
porque o amor é uma lição que não se aprende
quando o coração é um balde de despejo inútil
e tu perdes a vida em troco da frontalidade
e a minha escrita vive destas mortes
vestidas para viver na ilusão
eu sei eu sei tu és a prendinha da consciência
para meninos de gostos integrais
e depois tanto barulho tanto barulho meu deus
deves estar louca ou apaixonada
pelas moscas que cantam no silêncio.

fep

07/05/2008

micro relato edita08

A máquina devorou o cartão e por pouco não devorava o Fernando. Consegui agarrá-lo por uma perna e afugentar a máquina com um crucifixo.

Masquei umas folhas que se encontravam sobre a revista colombiana, que partilhava o mesmo posto de venda com o Sulscrito. Não deu para perceber muito bem.

Acho que a Jose Cuervo (oro) é a que melhora de forma significativa a minha pronúncia, especialmente a partir do terceiro copo. Mas a Cruzcampo também funciona.

Isto está bom é para eles, segundo dizem. E se está bom não leva sal.

joão bentes

06/05/2008

retrato de palavras

Arquivado em: poemas

estendo-te a minha mão e os dedos tremem
sobre o silêncio azul do teu corpo
é o silêncio dos muros
limite da solidão
sono
água
folha seca
ombro
orvalho na tua boca
e eu não procuro nas coisas
senão o desejo de te encontrar
está uma lâmina dentro dum prato e luz
apenas uma lâmina e o dia voltará a mentir-te
um dia vermelho em decomposição
nas minhas as tuas mãos escorrem uma doçura oleosa
sufocada de longa rotina
viajar no teu silêncio
no teu sangue
emergir do crepúsculo
numa revoada de mil lembranças
vivemos acaso?
deslizas
deslizo nas curvas enigmáticas do passado
as memórias acendem-se
os pensamentos circulam
os jardins são de cimento e as flores sabem-no
deslizas
é o cenário do teu corpo
as flores no perfume da tua pele
o musgo do teu ventre
sonho-te vida
segredo
luz
sangue
azul
sonho
e agora a sombra é vazia e a linguagem é gestual
a água no tanque corre em borbotões
a luz escorre de vidros
a terra treme
e no entanto eu sei
todos os dias são dias deste próprio dia
por sobre a cómoda a jarra de flores desbotadas
o passado numa moldura antiga
o amor num retrato amarelecido
cortinas de pó e silêncio
escorre a luz morna pelas paredes
a cama ao fundo desfeita
desfeitos os sonhos também
concreto o amor apenas de quem ama
longe na distância final
toda esta ausência que dizes haver em mim
é feita do que somos e nada te oculto
enquanto percorro a chama adormecida do teu corpo
silenciosamente
os teus lábios fecham-se de pó
ardor
vermelho
até no vazio nós caímos
entre a separação do que é secreto em ti
as palavras
só a luz pode desiludir a beleza
a luz desilude a beleza
nesse tempo a noite dormia ainda nos teus olhos
e a imaginação era um pensamento aberto
a noite chama-nos e as palavras esquecem-se por momentos
nem o vento de cordéis desgrenhados sacode o profundo desejo
emoldurada nos meus braços
como uma janela engolida pelas heras
escutas o silêncio que é a luz e é de pedra

fep

Edita (por aí) 2008

Arquivado em: ecos

Bicicleta

Mandrágora

BigOde

Canto Escuro

Uberto Stabile

30/04/2008

perante a solidão

Arquivado em: poemas

Depois da leitura particular da sua própria vida
cada um se debruçou na essência literária que o coração indicava.
Em forma de livro ela sentia que não eram aqueles os seus caminhos.
Palavras brutas e ingenuamente arrependidas.
Verdades que por serem desfocadas,
davam uma péssima fotografia da vida.
Fecharam os livros no limite do sofrimento.
Nunca uma história é uma ponte
de entendimento para o nosso prazer.
Ele deixou a sua alma a marcar uma página.
Tão inconsciente estava no tumulto das palavras
que a razão se enrugou perante a solidão.

fep

26/04/2008

uma fonte de vida no cérebro

Cede-se espaço físico-social por motivos de obsolescência existencial.
Não inclui carácter nem honestidade adquiridos durante a vida.
A identidade é oferta por saturação viciosa da parte do sistema.
Homem de meia idade recusa-se a permanecer num espaço
de existência constantemente posto em causa, como se o tempo
fosse uma viagem que ele tivesse de pagar.
Em troca do seu doméstico destino,
dêem-lhe um deserto com uma fonte de vida no cérebro.

fep

24/04/2008

fotografia rasgada com livro e mesa de leitura

Arquivado em: poemas

A fotografia compõe-se em três pensamentos.
Em redor da infância há uma mesa
E no centro a olhar para quem lê
revela-se a agressividade de quem pensa.
Os olhares são tristes ou apenas se protegem
do sofrimento das primeiras palavras.
A mãe pensa dizer o que alguém esboçou com violência.
Temos um espaço guerreiro e analfabeto.
O pai julga ocupar o coração blindado do tempo humano.
Vejo-o despedaçar-se pelo caminho do seu próprio pensamento.
Às vezes tenho esta imagem de mundo
dividido em três superfícies que a linguagem do desespero ordena.
O jogo da verdade é uma mesa humanamente distante
e a imagem que compensa a escrita
o retrato da razão profunda.

fep

23/04/2008

uma consciência do tempo

Tenho uma relação com o tempo que não desejo a ninguém. Lembro-me de ser criança e estar sentado ao sol a ver as sombras deslocarem-se no chão. Pensei nesse instante que, mesmo que eu não fizesse nada e me mantivesse imóvel, o tempo haveria de fazer alguma coisa por mim. Em vez de ser eu a exercer qualquer tipo de actividade sobre o tempo, seria o tempo a abrir-me o espaço para a contemplação vazia do ser. Sempre esperei toda a minha vida. Se houve coisa que o tempo me deu, foi a paciência de esperar que algo me acontecesse. Como eu tinha a convicção de que o tempo estava sempre a mudar de disposição, acreditava cientificamente que também eu mudaria e passaria a ser instrumentalizado pela sua passagem. Mas o tempo é um processo variável e a sua velocidade e lentidão são accionadas pela necessidade humana. Conclui então que eu era uma consciência do tempo. Quando me encontrava sozinho, o tempo tinha um comportamento lento e caprichoso como uma solidão; mas quando estava com alguém, o tempo era a soma de duas consciências temporais a consumir um espaço abstracto. Nunca gostei de pensar que o tempo não perdoa. Se o tempo fosse emocional e me condenasse sentimentalmente, eu sentir-me-ia uma sombra que ele deslocasse com uma exactidão humana. Mas tenho o meu pensamento para contrariar o poder que o tempo exerce sobre mim. O facto de o tempo me observar não lhe dá o direito de alienar a minha presença. Eu sou uma sombra que desobedece às regras meticulosas do tempo. E essa será, fatalmente, a minha transgressão existencial.

fep

22/04/2008

coitado, dêem-lhe um blogue

O amor não é para todos, logo, o sexo é só para alguns. Dito assim poderá parecer frio e pessimista da minha parte, mas a frase lamentosa nem sequer é minha. E faz todo o sentido, pois o autor sentimental deste desabafo enlouqueceu por sentir isso mesmo numa determinada fase da sua vida. Tinha dezasseis anos quando se apaixonou pela madrinha de baptizo, uma mulher cinquentona, solteira na maternidade e no prazer. O meu amigo louco cresceu no colo da senhora, e transportou até à idade quase adulta o conforto e o carinho que recebia sem maldade nem proibições afectivas. Depois veio a adolescência e desalojou-o das características infantis como a inocência e dotou-o de um desejo carnal por aquela que fora mais que sua mãe. O reconhecimento que o louco apaixonado fazia do amor recebido em criança por aquela mulher, desejava ele agora reabilitá-lo numa relação adulta com base no sexo. É verdade. Se antes fora a criança pura, embalada entre os seios opulentos da senhora ( ou talvez até servisse de brinquedo sexual e alimentasse nela algumas perversões cautelosamente disfarçadas pelos cuidados intensivos do amor de madrinha ), agora o meu amigo louco reclamava com todo o seu delírio e paixão o prazer do corpo proibido, como se fosse esse o momento em que ele teria de pagar a sua dívida emocional por ter sido tão amado em criança. Mas a madrinha expulsou-o do seu coração, sacudiu-o do regaço perigosamente ameaçado pela ambição sexual do afilhado, como se ele representasse para ela apenas uma migalha sentimental. E de nada lhe serviu as cartas que escrevera à madrinha, revelando-se na dor do abandono e sob o efeito de uma tempestade de lágrimas, em que evocava pôr fim à vida. No entanto, nenhum contacto físico com a madrinha fora suficiente para o encorajar a envolver-se sexualmente com outra mulher, e assim virgem se conservara até ser internado num hospício, a declarar o amor infantil e complexo que sentia pela madrinha, ao colo duma mulher apática como ele, a acariciar-lhe os cabelos lisos e a oferecer-lhe os seios caídos, para que o louco como ela alimentasse as suas perversões. Se houvesse uma moral da história, penso que seria esta: nunca leves o amor da infância para a idade adulta. Podes enlouquecer.

Aceitam-se sugestões para outras moralidades.

fep

21/04/2008

maldito blogue

Poeta das mulheres improváveis e do amor à distância, o jovem advogado revelou-me a sua nova paixão por uma leitora desconhecida. A ciência amorosa que o incomodava assentava na seguinte questão: pode alguém amar uma pessoa só pela ideia que se constrói sobre ela. E foi adiantando que já havia fabricado um sentimento que consistia numa emoção abstracta com base na ideia da leitora em causa. Simplificando: será possível amar a consciência de uma mulher, ignorando se ela é gorda ou magra; alta ou baixa; ou se é feia ou bonita? O conhecimento do rótulo físico da mulher não será um pormenor condicionante, uma senha visual que nos impossibilita o acesso ao seu interior? Exactamente, disse o jovem advogado, como eu gostaria de amar essa leitora desprovida do seu próprio corpo. Interessa-me possui-la para além da aparência que ela apresenta perante os outros. A minha ideia do amor baniu para sempre a imagem física, corpórea. Não é o belo o que mais me interessa para me sentir feliz; não é a foto-carnal que a mulher exibe no seu dia-a-dia em relação com os outros. Não estranhes, mas o que me fascina numa mulher é precisamente o que ela pensa e sente sobre ela própria, e fascina-me a capacidade brutal de ela exteriorizar esse saber, como se eu fosse o seu universo. Da mesma forma que eu amo a ideia de um amor incorpóreo, também sou capaz de amar no mistério do amor dessa mulher. E ela ama-te?, perguntei ao jovem advogado. Penso que ela tem medo da ideia desse amor. Ela tem uma consciência muito activa para poder aceitar o amor de alguém. Vive dentro de si mesma. Vive o seu próprio amor, a sua ideia amorosa da vida. Vive em dupla personalidade com alguém, talvez com ela própria. Até já lhe ofereci um blogue.

fep

19/04/2008

a importância de ter um blogue

” Tenho uma amiga que é tonta ou não gosta de homens “.
Foi com esta frase que o jovem advogado começou a contar-me a sua história sobre uma balzaquiana solteira que conheceu num desses encontros literários de fins-de-semana.
” Pode um homem roubar o amor a uma mulher?”

A história é simples.
O envolvimento entre os dois assentava quase exclusivamente nos comentários que ela lhe deixava no blogue de um amigo servil, talvez um lambe conas tipo lencinho renova sempre pronto a retocar-lhe a maquilhagem do coração, ou então um escravo da frustração feminina a servir de carroça aos desejos maníaco-depressivos da rapariga, sem qualquer compensação carnal. O jovem advogado lá ia lendo a literatura daquela alma esponjosa:

- frases ornamentadas por uma afectividade antológica.
- palavras de bijuteria novelesca a fazer um efeito de grande paixão.
- revelações de sexualidade tipo filme amador para casalinhos inexperientes.

Provocações pouco entesadas, pois a rapariga nem sequer usava cuecas fio dental.

É claro que o jovem advogado, nas respostas a tão cândida desenvoltura feminina, só podia ser um ordinário apaixonado. Ou um poeta reles. E na volta do seu coração atormentado, ele compensava-a com a seguinte ordem de desejos:

- quero pôr o meu sexo a segredar-te ao ouvido.
- marcamos um encontro com os teus seios no recanto mais florido do meu corpo.
- queres criar um blogue comigo?

Depois combinaram um encontro para a consumição das promessas, mas a decoração afectiva que existia entre os dois não resistiu, desfigurando o encanto cúmplice e amoroso da relação.

” A tonta da minha amiga só tinha histerismo dentro do coração”, lamentou-se o jovem advogado. E poeta do mais reles.
” Histerismo e medo de ser amada por um poeta como eu”, continuou ele.
“É uma mulher que ama pelos livros. Pelos posts que lhe escrevo. E masturba-se com os poemas que lhe dedico”.

Com as palavras dos bilhetinhos do jovem advogado, ou com as palavras do autor dos livros que lê? Pergunto.

Nada estava definido na cabeça do jovem advogado, mas ainda o ouvi dizer:

” A diferença fode tudo “.

E criou um blogue sozinho. O maior blogue do mundo.

Caixa de Comentários:

1.
constatei depois que a tontinha era conservadora no uso da lingerie, mas uma irreverente fodilhona. portanto, cueca aconchegante = mulher interiormente perversa. e tem dois sentidos, assim: cueca aconchegante = homem loucamente perdido no oculto interior feminino. espero que o sistema sexual esteja matematicamente correcto. caso contrário o jovem advogado será um péssimo amante. o fio-dental pertence a outras variações sobre o mesmo assunto. Talvez seja o título dum poema do jovem advogado.

amigo da tontinha

2.
se queres saber, não sou adepto da linha erótica interior feminina. e quando vou para a cama é sempre despido de qualquer roupagem ambiental que me leva a apreciar mais a natureza sexual da mulher em detrimento da moda-em traje-menor que ela adoptou para enriquecer as formas das suas capacidades amantes. o fio-dental é a mascarilha vaginal que só funciona no imaginário daqueles que quase nunca têm mulheres. os solitários do amor e do sexo cada vez mais longe.

jovem advogado

3.
as coisas que este homem sabe acerca das mulheres sem roupa interior.

anónimo

fep

18/04/2008

blogues e funcionalidades

Uma das coisas que mais me impressiona na cena dos blogues é a relação entre texto e leitores (comentários). Se é verdade que existem blogues que levam a escrita a sério, outros há que são pura distracção, charadas, manias. Se os primeiros (os sérios) carecem de comentários com fundamento; os outros assentam no disparate de opinião que os leitores sentem como uma necessidade para dar continuidade, por via da diversão, a uma função ridícula de se escrever e editar sem qualidades. Querem exemplos? Se alguém deixa registado num post que lhe dói a cabeça e não lhe apetece escrever, o sistema de comentários inunda-se doentiamente com dezenas de mensagens. E se alguém transcrever um texto de Nietzsche ou Sartre, o que acontece? Conheço um blogue onde os comentadores ( leitores dados aos costumes dos piqueniques ideológicos ) costumam estender uma toalha de disparates sobre as ideias contidas nesses trechos como se conspurcassem os lugares da mente. Vou ser mais directo: sobre uma ideologia de camus combina-se em que tasca se vai beber um copo de vinho ou comer um prato de caracóis.

E depois também existem aqueles blogues beijoqueiros. Escreve-se um poema florido e os comentários fazem bicha para agradecer de beiço fogoso tão profundas imagens e emoções. São poetas catequistas que usam a vida e o sol para camuflarem as suas próprias frustrações. Os versos que escrevem, se eu os representasse por desenho, tinham a imagem de caminhos eternamente perfumados por uma dor coberta de flores. Nesses posts ajardinados de tão doces palavras, os comentários chovem como pétalas de lágrimas, porque neste mundo da poesia que nasce da carência afectiva, autor e leitor agonizam no mesmo canteiro.

Quem nunca visitou um blogue onde se cultiva a futilidade verbal? Será que se escreve porque não se tem mais nada para dizer? Conheço vários blogues com pretensões humorísticas, mas a ideia que permanece depois de ler alguns posts é que o autor aprendeu a rir com o lado paralisado da sua própria vida. O interessante neste caso, e isso deve-se ao leitor que comenta ( provavelmente também ele a estudar para engraçado ) , é constatar que as mensagens têm uma qualidade irónica superior ao texto editado. Faz-me pensar que a brincadeira é uma função prática da própria vida, enquanto os assuntos sérios requerem outras distracções mais concentradas na existência.

Blogues onde os autores estão há beira do suicídio: atenção, psiquiatras. Os seus autores são maioritariamente meninas adolescentes que meditam e escrevem sobre a existência como um castigo que impõe a si próprias. Estar diante dum texto escrito por uma alma assim é como engolir um peixe com espinhas. Os temas andam muito por aqui: acham que os progenitores são o pior inimigo; sentem-se perseguidos e reservam uma indiferença de morte àqueles que os comentam, e para além desse nocturno de vida ainda se convencem que o amor é o último medicamento que desejam tomar. Não escrevem mal, mas a doença de pensar que ninguém os compreende leva-os a uma loucura risível de que a literatura faz gozo.

Que sentido faz um blogue sobre política num país de maus políticos? A censura e o comentário terão alguma propriedade sobre a disfunção de algumas ideias políticas? Eu percebo: esses blogues existem com a ilusão de ensinar como se governa uma sociedade. Abre-se o sistema de comentários ( como se o gesto fosse o mesmo que puxar um autoclismo ) e o debate está instalado: tudo o que se escreve sobre a governação dum país soa a inscrição de parede de casa de banho numa estação pública. E pelos vistos todos querem deixar uma impressão de merda sobre o que pensam dos vários assuntos retratados nesses blogues ( ou partidos virtuais? ).

fep

III Bienal de Poesia de Silves

Arquivado em: divulgação

A III Bienal de Poesia de Silves é já a 25,26 e 27 de Abril.

Poem’arte - nas margens da poesia.

O programa aqui e aqui.

12/04/2008

Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Arquivado em: Das Grandes Questões

A Liberdade é um instrumento político de silenciamento. Foi-o na Ditadura, pela via repressora; é-o na Democracia pela da exaltação. No primeiro tempo fez-se crer que nada mais seria possível, agora promove-se a possibilidade de tudo.

A Liberdade é a grande referência da sociedade contemporânea, que assenta sobre uma organização política profunda. Liberdade é ter direitos, mas é também ter deveres, ou seja, contrapartidas em nome do bem comum. Assim sendo, há dependência parcial e não há autonomia total. Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Nunca o Homem se conseguirá libertar de si mesmo, nem das dificuldades que gera à sua volta. Só no futuro, talvez não muito distante, em que assistirá à Destruição do Tudo, os que lhe sobrevivam apagarão a memória, porque serão somente isso: Livres.

joão bentes

09/04/2008

micro-resumo

Arquivado em: a poesia está na rua

ontem à noite chovia. cantei as ruas todas da cidade. cheguei a casa um pingo. caído.

Pedro Afonso

07/04/2008

Contos de Liberdade 2008

Arquivado em: divulgação

O programa completo dos Contos de Liberdade 2008, aqui.

Da Micro-Ficção

Li hoje o prefácio do Henrique Fialho à Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa. É um texto interessante que, para quem - como eu - tem pouca informação acerca da Micro-Ficção, oferece uma panorâmica introdutória que pode servir a outras leituras e que levanta questões importantes a considerar. O que mais me interessou foram as questões acerca do género e da relação deste com os outros que lhe fazem fronteira e a problemática relacionada com a sua dimensão reduzida e os tempos actuais.

O tempo sempre fugiu e o homem sempre correu atrás dele na tentativa desesperada de o ultrapassar, de lhe estar à frente ou de não ser por ele subjugado ou, pelo menos, de nele se sentir.
Diz-se que hoje o tempo foge mais rápido, que o nosso modo de vida lhe corresponde aumentando a velocidade da vivência, imediatizando os consumos, os produtos, as experiências.
Sempre fugiu, o tempo, hoje foge à nossa maneira.

Creio, concordando com o Henrique, que a génese da Micro-Ficção não se pode prender com os tempos actuais, com “as novas cronometragens da vida quotidiana”, com este “tempo sem tempo”. Estará, essa génese, mais relacionada com um outro imediatismo, com um imediatismo de longo efeito. Um imediatismo que aponta para o funcionamento da anedota, do aforismo, do ensinamento budista, como é referido no referido prefácio. O que passa por imediatismo é o acesso ao total do texto devido às suas dimensões.

Quanto à Micro-Ficção que hoje se escreve creio que o mais interessante é aquilo ao que o Henrique se refere como “a anulação das fronteiras dos géneros”, essa forma de experimentação que é sempre meta-literária, que passa por uma procura de originalidade e acende a sempre produtiva ambiguidade de classificação. Esta característica é sem dúvida uma riqueza, é sem dúvida uma fonte de questões.

E há a questão - que, como já disse, não passa pela génese - do “tempo sem tempo” e da dimensão deste género. De, hoje em dia, por exemplo nos blogs, ser um género literário em crescimento. Adapta-se a isso? É adoptado por isso? Serve mais a um tipo de leitura para o qual a maioria das pessoas está hoje disponível? Para o qual alguns escritores estão mais disponíveis e a partir do qual sentem comunicar melhor?

Quanto a mim, que tenho ensaiado algumas incursões na micro-ficção, o que me interessa é, sendo a poesia aquilo que escrevo, essa busca desse limite-fronteira, esse texto híbrido fora do espaço circunscrito a uma designação. É, para mim enquanto pessoa que escreve, um espaço de experimentação e, por vezes, de resvalo, para onde os textos vão fugindo.

O homem na esplanada atransparentava-se ao escrever. Era um poeta, conhecia-o, era meu vizinho. Sei que para voltar da sua invisibilidade escrevia pequenas histórias, dúbias, que lhe restituiam a cor a da certeza.

Pedro Afonso

Contos de Liberdade 2008

Arquivado em: divulgação

Começa já este sábado, dia 12 de Abril, o VI Festival de Narração Oral - Contos de Liberdade, um projecto da ARCA.
Vai decorrer durante todo o resto do mês de Abril (de 12 a 30).
Mais informação (e um conto) aqui.

06/04/2008

Então o que é que isto tem a ver com Poesia?

Arquivado em: Das Grandes Questões

Toda a verdade é, e de certa forma inalterável. É uma questão própria à consciência que se surpreende, talvez por excesso de pudor, talvez por falta de alternativa, talvez, por ela, a afirmação, ser a única que realmente importa existir, em toda a sua dúvida.

O que faz a questão ser a questão é o facto de não ter resposta. Porque será então que as pessoas se acomodam? Simples: não têm a grande pergunta. Agonizam no real e disso pouco se apercebem, porque não interessam as perguntas mas apenas as respostas.

Então o que é que isto tem a ver com Poesia? Podia ser a grande pergunta. A que interroga afirmando, a que é. Mas seja o que for tem de ser a verdade, o que é de certa forma inalterável.

joão bentes

Rapaz Areia

Pedro Afonso inicia publicação faseada, no seu blog a pedra, da obra inédita Rapaz Areia.

A obra poderá ir sendo lida conforme for sendo publicada aqui, categoria que juntará todos os textos do conjunto. Para já pode-se ler o prefácio.
O anúncio do autor pode ser lido aqui, também no seu blog.

03/04/2008

aí vem ela

Arquivado em: divulgação

A BICICLETA
A BIC
A BIC CLETA-DE CRETA
TAURUS COM PEDAIS
MINUS SEM PEDAIS
COM PÉ
DESCALÇO, DE MÃOS
SE DAIS
DE REPENTE
SEM CORRENTE
E
COM CORRENTE
TEM
TEM
DENTES – DENTES CONSONANTES
VOGAIS DEMENTES À DERIVA DE
CONSOANTES
BIS! BIS!
BIS CICLETA!
POIS CONCERTA!
CONCRETA!
BICICLETA CONCRETA

(BI-CI-CLE-TA-BI-CI-CLE-TA-BI-CI-CLE-TA)

Mandrágora

EDITA 2008

Arquivado em: divulgação

O EDITA está de volta. Este ano é de 30 de Abril a 3 de Maio, em Punta Umbria (Andaluzia), claro.
É já a 15ª edição do Encontro Internacional de Editores independentes e Editoras Alternativas, desta vez mais longo, com mais participantes vindos de mais países.
O Sulscrito vai lá estar, como tem vindo a ser habitual.
Fica o cartaz e a lista de editoras(es) participantes.

edita

EDITORES PARTICIPANTES
ANDALUCIA
ARBOL DE POE Málaga
ATRAPASUEÑOS Sevilla
AULLIDO LIBROS Punta Umbría, Huelva
EDITORIAL CACÚA Huelva
CANGREJO PISTOLERO EDICIONES Sevilla
CENTRO DE POESÍA VISUAL Peñarroya Pueblo Nuevo, Córdoba
EDITORIAL COCÓ Sevilla
REVISTA CHICHIMECA Huelva
CONTENEDORES Sevilla
CRECIDA Ayamonte, Huelva
DUM SPIRO EDICIONES San Fernando, Cádiz
EL COSTURERO DE ARACNE Monachil, Granada
EL GAVIERO EDICIONES Almería
EL OLIVO AZUL Sevilla
ENTRETELAS Granada
ESCUELA DE ARTE DE GRANADA Granada
EST LIBRI Huelva
FACTORIA DEL BARCO Sevilla
ISLAVARIA EDITORIAL Aljaraque, Huelva
LA CINTA DE MOEBIUS Huelva
LA ESPIGA DORADA Huelva
EDITORIAL LUZ Y CIA Granada
MÚSICA FUNDAMENTAL Huelva
EDITORIAL ONUBA Huelva
POESÍA EN LA DISTANCIA Huelva
TABULA ROSA Fuenteheridos, Huelva
TALLER DEL HECHICERO Sevilla
REVISTA TRANVIA Huelva
UNICO ESPACIO NÓMADA Sevilla
VOCES DEL EXTREMO Moguer, Huelva
REVISTA VOLANDAS Punta Umbría, Huelva

ARAGÓN
EDITORIAL ECLIPSADOS Zaragoza
REVISTA ECLIPSE Zaragoza
ESCUELA DE ESCRITURA Utebo, Zaragoza
MANUFACTURAS NADA Zaragoza
VACARESIGNS Zaragoza

ASTURIAS
ARIS Oviedo, Gijón
ATENEO OBRERO DE GIJÓN Gijón
LA ULTIMA CANANA DE PANCHO VILLA Oviedo
REVISTA LUNULA Gijón
PAQUEBOTE Oviedo

BALEARES
ESPACIOLUKE.COM Palma de Mallorca

CANARIAS
BAILE DEL SOL Tenerife
PUENTEPALO Las Palmas de Gran Canaria

CASTILLA LA MANCHA
EDITORIAL AMARGORD Chiloeches, Guadalajara
LA LATA Albacete
PUNTO MAS EDICIONES Y DISEÑO Fontanar, Guadalajara
EDICIONES SEGUNDO SANTOS Cuenca

CATALUÑA
AIRE Barcelona
CENTRE D’ART LA PANERA Lleida
LA OLLA EXPRESS Barcelona
LOS LIBROS DE LA FRONTERA Barcelona
LUCES DE GALIBO Girona
MERZ MAIL Barcelona
MONTFLORIT EDICIONS Cerdanyola Vallés, Barcelona

CEUTA
MESTER DE VANDALIA

EXTREMADURA
ASOCIACIÓN GUAIAIE Fregenal de la Sierra, Badajoz
DE LA LUNA LIBROS Mérida, Badajoz
LABOLSA Don Alvaro, Badajoz
LA HUEVERA Mérida, Badajoz

GALICIA
EDITA-T PALABRAS FLOTANTES Vigo, Pontevedra

MADRID
ARTIFARITI-ANJU Madrid
CUADERNODEPOESIA.ORG Madrid
DELSATELITE EDICIONES Madrid
DIÓGENES INTERNACIONAL Madrid
ELKOALAPUESTO Vallekas, Madrid
EXPERIMENTA Madrid
KA-ISLAS EDITORIAL Madrid
LA MÁS BELLA Madrid
LAPINGA EDICIONES Madrid
LITERATURAS.COM Madrid
OFICINA DE IDEAS LIBRES Madrid
PA’ COMER ‘APARTE Madrid
SOS emerginsumerginArt San Lorenzo de El Escorial, Madrid
TALLER DEL ARCE Torrelaguna, Madrid

PAIS VASCO
A FORTIORI EDITORIAL Bilbao, Bizkaia
EGUZKI ARGITALDARIA Bilbao, Bizkaia
KUKU-BAZAR Vitoria, Gasteiz, Alava
LA GALLETA DEL NORTE Barakaldo, Bizkaia
LA ÚNICA PUERTA A LA IZQUIERDA Portugalete, Bizkaia

VALENCIA
REVISTA CULTURAL BOSTEZO Godella, Valencia
DIARIOS DE HELENA Elche, Alicante
D (x)i MAGAZINE Valencia
LOS JUGLARES CAZURROS Godella, Valencia
MUSEO DE ARTE EXTEMPORÁNEO Elche, Alicante
EDICIONES TRASHUMANTE Valencia

ALEMANIA
REVISTA ÓXID Berlin

BRASIL
COMANDO MACONDO

CUBA
BOURAONELATELIER EDICIONES La Habana

MÉXICO

ATEMPORIA Saltillo, Cohahuila
ESTA REVISTA SE LLAMA BLASFEMIA San Luis Potosí
EL AGUAJE Guadalajara, Jalisco
ENCUENTRO DE ESCRITORES Ciudad Obregón, Sonora
ENSAMBLE COMICS México D.F.
MICIELO EDICIONES México D.F.
PALESTRA México D.F.
QUIMERA EDICIONES México D.F.
REVISTA REFLEJOS Ciudad Victoria, Tamaulipas
TALLER EDITORIAL LA CASA DEL MAGO Guadalajara, Jalisco
TEXTOFILIA México D.F.

PERÚ

EDITORIAL PILPINTA Lima

PORTUGAL

REVISTA BIBLIA Lisboa
REVISTA BIG ODE Almada
CANTO ESCURO Barreiro
CONFRARIA DE ALFARROBA Luz de Tavira
LIVRODODIA EDITORES Torres Vedras
MANDRÁGORA Cascais
SULSCRITO, CIRCULO LITERARIO DEL ALGARVE Faro
REVISTA UTOPÍA Lisboa

02/04/2008

Talvez seja isto

Dois seres humanos em confronto físico directo por um telemóvel. No épico de Kubrick, as tribos disputavam a posse de uma pequena poça de Água. Houve então um desses infelizes que descobriu que um osso pode partir outros ossos. Como se não chegasse, ainda veio o maldito paralelepípedo e os sons tenebrosos de Ligeti. A sorte foi que pelo menos um chegou até Júpiter. Será também interessante pensar no HAL 9000 que aniquilou os outros tripulantes da grande nave-mãe. Talvez seja isto e/ou/a Selecção Natural.

joão bentes

01/04/2008

Ma(i)s notícias culturais do Algarve

“Contos de Liberdade” cancelados este ano. Mais informações aqui.

31/03/2008

então mudem a marca

O surgimento de um movimento literário tem o seu interesse e cria expectativas. Um projecto – Texto-al –, que se designa por “novo círculo literário do Algarve” tem as suas implicações e aumenta a confusão rotativa no que se deseja Círculo estável onde todos possam embarcar sem serem cuspidos por força do andamento e da velocidade (cópia desenfreada, neste caso). Porque se já existe um círculo (Sulscrito) por que não criarem um eixo? Ou um grupo? Ou uma seita? Se a imaginação foi corrida do texto – al, proponho para o novo projecto a indicação de “Peregrinos Literários do Algarve”. Com alguma fé e boa vontade não se repetem designações e não se copiam fórmulas. Mas o catálogo é longo e eu até ponho à vossa disposição uma série de opções e slogans que costumamos encontrar em dias de suspeita inspiração. Por que não experimentar “meia-lua da literatura algarvia”, ou “pôr-do-sol literário do Algarve”? E que tal “Vai de roda a cultura no Algarve”? É mais fácil e cómodo reciclar ideias que já existam, não é? Também acho, no vosso caso. Mas eu ajudo-vos: se espreitarem a vasta (como quem diz) galeria de figuras geométricas, são capazes de encontrar alguns tipos de triângulos, e rectângulos, ovais e quadrados. Vamos experimentar? “Triangulo obtuso-literário do Algarve” (rico na sua imagem, sugestivo sem escandalizar, e se não o querem em figura permanente, sempre podem utilizá-lo em sentido figurado). “Quadrado literário do Algarve”, tem os lados todos iguais e a sua expressão representa o mais democrático sistema das ideias, como por exemplo: entre quatro cabeças a originalidade está salvaguardada; é uma figura que confere resistência às ideias conservadoras, serve de sala de recobro para mentalidades com alto nível de imaginação, e oferece ambiente tranquilo para oportunismos floreados e conversas de lapela. Meus amigos, sejam bem-vindos ao carrossel da literatura do Algarve, pois só com um círculo não vislumbrávamos nenhuma pista que nos colocasse na recta literária da vanguarda, não havia termo de comparação, e eis que o figurino mudou, graças ao aparecimento de outro círculo a rodar nos calcanhares como uma roda cujo destino é andar sempre uns palmos atrás a aguardar uma utópica oportunidade de recuperar a distância. Já ouviram falar em identidade? Então mudem a marca.

fep

23/03/2008

Mais Poesia Lida no Palavra Ibérica

Arquivado em: ecos

(selecção e vídeo de Adão Contreiras)

19/03/2008

Palavra Ibérica - poesia dita

Arquivado em: ecos

Mesa de poetas “En Femenino Plural”.
Poesia de Maria Gomez, Magarida Vale de Gato, Rosario Cabaña, Josefa Virella e Diana Almeida, dita pelas próprias (excepto a Margarida V. Gato, de quem os poemas foram lidos pela Diana Almeida):

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Mais imagens do Palavra Ibérica, via Adão Contreiras.

Mesa com os directores dos encontros “Correntes D’escrita” (Manuela Ribeiro) e “Voces del Extremo” (Antonio Orihuela) e a apresentação do livro “Pequena Antologia para o Corpo” de Luís Filipe Cristóvão:

Destruição da Natureza, Parque da Ria Formosa, Ludo, Faro

Mais acerca do desbaste de de árvores no Parque Natural da Ria Formosa, no Pontal, zona do Ludo junto à estrada para a Praia de Faro.

Aqui no Jornal “Região Sul”.

Quem conhece o Ludo junto à estrada para a praia, antes da última curva, reconhece a àrea deste cenário?

ludo_1

(foto “Região Sul”).

17/03/2008

Destruição da Natureza, no Ludo, em Faro


No Ludo, em Faro, 5ª feira passada.
Destruição não sinalizada, sem identificação de responsável.
Alguém sabe do que se trata?

poesia dita no chalé João Lúcio (2)

Arquivado em: poemas, ecos

*

oh meu algarve
pareces manter
ainda assim
uma tendência incorruptível de azul
como céu
ainda
esse rasgão de cor
que nos ultrapassa
ainda sim
ainda por agora

de resto
oh meu algarve
és uma nódoa indelével
na conspurcada toalha
que é esta
que nos estenderam
no máximo como país

mais uma
oh meu algarve
mais uma nódoa
do que caiu da sobra da boca
de quem não olha ao que devora

oh me algarve
frúnculo de alcatrão e cimento
que calado rebenta
em areias de pus para um mar
que já não lava

de pernas abertas à invasão sazonal
que nunca te poupa
porque és barato e sem sentido
oh meu algarve
atravessam-te sem nunca olhar
o rosto que outrora tiveste
nem os rios te choram já
serras abaixo
restam-te as calçadas
peganhentas de cerveja
como lágrimas que se cristalizaram
sob os pés da indiferença

oh meu algarve
nem te lubrificaram na sodomização
e na dor silenciosa do teu corpo
fugiu-te a esperança e o grito
resta-te agora apodrecer
secar
nódoa desbotada
ao sol
que te dá a conhecer

*

venham
venham todos
besuntados de bronzeador
embandeirados de guarda-sóis
como que para reclamar
um pedaço de terra virgem
venham para o algarve no verão

venham todos
de corpos gordos e pendurados
da mamagem dos dias
de corpos esbeltos e magros
da labuta no ginásio
venham
para esse algarve de areia e mar
e de céu azul

venham todos
para a colónia de férias barata
para o aparthotel de segunda
para a casa a 1000€ a quinzena
ou para o resort de 25 estrelas
venham

venham todos
de inglaterra ou da holanda
da irlanda ou da alemanha
de lisboa ou do porto
de olhos vendados até ao quarto
que vos espera junto à praia
venham

temos muita cerveja e melancia
muita luz e noites quentes
muita areia e muita água
temos bares e discotecas
para os de primeira ou de segunda
até já temos música erudita
e festivais de tudo um pouco
graças a um “L” a mais no nome

venham venham todos
para o ano haverá mais
apartamentos para alugar
e rouba-se um pouco à praia
que a areia
essa
ainda não é a pagar
venham venham todos
entupam as estradas e o estacionamento
amontoem-se nas praias e nas piscinas

venham venham
venham comer o frango da guia
ou provar a amêijoa da ria
assar sardinha de espanha
e beber sumo de laranja prá ressaca
temos putas e camarão
tudo pago a meio tostão
para quem vier de cima

“temos palhaços e acrobatas”
experts em golfe e salva-vidas
no verão sabemos fazer
de tudo por vocês
falamos todas as línguas
pelos cotovelos

venham venham todos
não se acanhem
deixem cá um ordenado por semana
que isto pró ano estará tudo igual

Pedro Afonso

poesia dita no chalé João Lúcio (1)

Arquivado em: poemas

Oh meu Algarve cimentado em prol
da luxúria verdejante dos resorts
deu-te deus um mar azul e tépido
onde lavas a cara à sombra das concessões
nos três meses que te salvam da fome

Oh meu Algarve ardente consumista
constrói aquários para os peixes doutra vida
e asseados museus p’rós artesãos falidos
lagoas do mais barato álcool
para os filhos delinquentes das inglesas
que hás-de foder na eternidade das tuas areias

Oh meu Algarve diamante bruto
reino da imóvel especulação
fantasia mais real do impossível
não és mais que a falta de orientação
dos iates louros desfilando nas avenidas
levantando o grosso cheque do futuro
entre as nalgas dos que mimam
projectos de ordenamento litoral

Oh meu Algarve limpo e desenvolvido
hás-de ser o melhor destino europeu
depois de plantares bananeiras e coqueiros
e recifes de água azul e soberba
em que nadem tubarões e jet-skis

Oh meu Algarve desta gente tão contente
estás na crista da onda higienista
tens o oiro do caviar esfacelando-te as ventas
e um caranguejo verde-lodo murraceiro
protegido nos alguidares da reserva natural
na fundura de um anzol que ninguém usa
é dizimada a vida dos teus filhos

Oh meu Algarve do medronho e do figo
estância balnear dos pródigos sobrinhos
que agitam as velas do progresso
brincando aos homens sérios de ideias
desvinculadas do sou e do que acredito

Oh meu Algarve impressionista e trágico
hão-de enterrar-te como tudo o que matam
em todas as cidades de ti já extintas
com a culpa de mil deuses às costas
o teu destino é pedante servilismo

Oh meu Algarve desta juventude atónita
empenhada no cu de um fazer engolido
pela vontade de um querer ser contra
vestida à freak resignada mas direitinha

Oh meu Algarve branco esquizofrénico
infecto burguês viciado decrépito
és o que sempre foste e nada menos serás
o sol ardente com que te vendem aos caprichos
o vasto mar azul escondendo-te o lixo

Oh meu Algarve
adeus
que se foda a herança do meu pai
e tudo o que de ti subsista
porque o que tenho vai mais alto
e não é esperança cruel
nem outros tantos anos de mentira

João Bentes

16/03/2008

Palavra Ibérica - Imagens (2)

Arquivado em: ecos

Mais videos do Palavra Ibérica 2008 da autoria do Adão Contreiras:

apresentação dos livros vencedores do prémio de poesia.

alguma poesia dita à noite pelos autores participantes:

Eladio Orta e Golgona Anghel.

Elisa York, Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené e João Bentes.

12/03/2008

Feira de Ideias

Arquivado em: divulgação

Neste Sábado, dia 15, à tarde vamos estar na Ecoteca de Olhão\Museu João Lúcio a ler alguma poesia de intervenção com o Algarve como tema.

É mais uma Feira de Ideias com Cheiro de Framboesa, um evento diverso. Podem consultar o programa aqui.

Apareçam, tudo começa de manhã e estende-se até ao final do dia (ou mais) num local bastante agradável: o Chalé João Lúcio, edifício de arquitectura simbolista, junto à Ria Formosa.

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Imagens do Palavra.











































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