O peso das palavras
Abro um livro meu, à procura de algo para ler num evento, e surpreendo-me mais uma vez com o peso, juízos de qualidade à parte, que as palavras ganharam, pelo simples facto de estarem em livro. É isto que sinto, muitas vezes, mais do que penso. E lembro-me do que me dizia um dia destes uma amiga: que as minhas micronarrativas não tinham perdido qualidade por terem passado a livro, por terem passado da Net para o papel. Na altura respondi-lhe, como acima digo, que o livro, só por isso, dá ao que se escreveu um peso diferente, como se o que se escreveu fosse passado a pedra, como se lhe tocasse a eternidade. No entanto, no que se refere ao seu suporte, em formato livro ou electrónico, escrito à mão ou impresso, não posso deixar de pensar que qualquer texto é sempre efémero e irrelevante, a não ser para o leitor. Para mim, como autor, a maior vantagem de ver o que escrevo em livro é que não sinto a necessidade de alterar o que escrevi, e posso, finalmente, separar-me definitivamente dos textos. Já não me pertencem.
Luís Ene

pedidos:sulscrito@yahoo.com