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05/01/2007

máscara

Arquivado em: escrever é

Vem o tempo e desfaz todas as ideias possessivas de pertencermos a alguém. O tempo que combate as estátuas e derruba as máscaras que exibimos para nos sentirmos perfeitos. Mas a perfeição não é nenhuma arte que se exponha nos espaços privados do ser. Por entre o tempo, a tua vida é uma sensação interdita. Tudo é dominado pela linguagem quando a respiração está a ser escrita no interior da máscara .

Nenhum rosto compreende a sufocação das palavras.

Um dia o livro será a tua consciência num grito gráfico de poema único e denso. É dentro das palavras que és verdadeiro. Todo o silêncio da tua existência foi um teatro de loucura, e depois transformaste-te numa linguagem de escravidão que fere a tua própria ausência.

Que palavras são as tuas? Que escreves tu para além do que é urgente ler nos outros?

Estou a ouvir uma música que respira para sempre.

Como escrever nas veias da leitura que fazes da vertigem que sinto?

Não posso escrever sem destruição.

fernando esteves pinto

1 Comentário »

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  1. nem mesmo a construção no branco vazio deixa de ser a destruição desse espaço vazio.

    Comment by pedro afonso — 05/01/2007 @ 2:36 pm

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