se isto é escrever
Podia interessar nesse tempo não haver um único dia
pelo menos propor um encontro nas tuas pernas
escrever com o sexo um poema quando imaginara os estudos
para obter a vida que mal começara a triunfar no momento mais importante
na iminência de cometer alguma força também
na impotência das ruas inesperadas
depois de ter lido a consciência ausente como uma queda na sua maldade
mais do que admirável num desejo único como conhecimento do corpo
ocultado numa noite apesar da nudez evolutiva que esconde a vergonha
de nada existir no longo corpo durante o tempo adaptado
no cheiro das mulheres reduzidas sem dúvida contra os lugares decotados
da respeitabilidade previsível como um enorme truque de intimidade
existente num certo prazer enfraquecido e falso diante dos teus seios
porque evidentemente sentia como estarias nessa vontade suprema
para contrariar o mais simples do amor é verdade
alguma coisa que o nosso longo destino tem o direito ao erro
e isso é desumanidade quando a sinceridade é um vocábulo dramático
e insignificante nos anos de conclusão pelas regras abandonadas
como se te atrevesses a abrir o sexo apaixonado pela transgressão censurável
e artificial porque não está muito longe tudo o que podemos perder
neste inferno louco de amar num prazer fechado
até ao momento miniatural de ninguém existir.
fernando esteves pinto

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