04/10/2007
Dissestes puros os regatos da tua insónia
limpas e férteis clamastes as lamas do outro tempo
quando um pouco de nada te calava a fome
Agora vazas as tuas horas entre caminhos gastos
colhes da água turva certos demónios de sal
dobrando a sombra dos peixes na tua memória
joão bentes
The URI to TrackBack this entry is: http://sulscrito.blogsome.com/2007/10/04/dissestes-puros-os-regatos-da-tua-insonia/trackback/
RSS feed for comments on this post.
Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>
Dissestes?
Clamastes?
Comment by ? — 05/10/2007 @ 7:31 pm
em defesa do poema:
“Dissestes” e “Clamastes” são formas da segunda pessoa do plural (VÓS) do pretérito perfeito simples do modo indicativo, corretas, portanto. O que soa estranho - para além do pouco uso que nos nossos dias se dá a esta forma - é que a partir do 3º verso do poema a forma de tratmento muda: deixa de ser a 2ª pessoa do plural e passa a ser a 2ª do singular (TU).
Eu atribuiria essa mudança de tratamento à ironia.
Pedro Afonso
Comment by pedro — 06/10/2007 @ 10:56 am
Olá João Bentes e Pedro Afonso. O ? não deixa de fazer sentido, logo por causa do primeiro verso: «Dissestes puros os regatos da tua insónia». Começa na segunda pessoa do plural, muito bem, mas depois muda para a primeira do singular («tua».) Talvez devesse ser «vossa insónia», porque assim o verso fica com um erro de concordância. Aliás, todo o poema está dirigido a um tu singular. É claro que isto, em poesia, é muito subjectivo. Só o autor poderá saber a sua intenção. E até pode ter sido gralha. Às vezes há gralhas que resultam muito bem. Outras vezes não. Grande abraço aqui do oeste,
Comment by hmbf — 08/10/2007 @ 10:49 am
A burburinho criado pela utilização dos tempos verbais, das concordâncias - ou falta delas - é algo redundante. O que interessa é o leitor absorver o poema enquanto objecto estético e hermenêutico, tendo sempre em linha de consideração a instabilidade salutar existente no uso da(s) linguagen(s) literárias. O não-entendimento concernente a este topos da literatura continua a remetê-la, em poesia ou em prosa, para o expectro da simples conjugação aleatória e subjectiva de imagens e não como a forma de conhecimento indefinível que nos advém da escrita.
E uma outra coisa: já que se insiste nestas questão das conjugações e das intenções autorais: não poderia o Poeta ter simplesmente usado uma forma de segunda pessoa do singular advinda do uso oral da mesma. É comum ouvirmos alguém dizer “ouvistes” em vez de “ouviste”. Incorrecto ou não, é língua e, assim, objecto.
Comment by pedro sousa — 08/10/2007 @ 11:45 am
Acho que é óbvio que todo o texto se dirige a um “tu” particular. O desfasamento que ocorre do “vós” para “tu”, permite, quanto a mim, a geração de assimetria na intimidade, ou de perda de respeito, tanto num caso como noutro, de um lapso na compreensão de algo. Desfasamento, atrito, incómodo. No que me entendo, o poema, desde o escritor até ao leitor, não pode ser de outra forma. Se é assim tão clara a dissonância, é porque é disso que o texto trata.
A questão do “vós” e do “tu”, ainda compreendo, porque nem eu me consigo entender nesse texto, e duvido se esta será a sua forma final e intocável. De qualquer forma acho-o um poema “forte”, pois gera discussão na interpretação. Confesso que não me apercebi imediatamente disso, essencialmente no 3º verso, mas esta foi a forma que me surgiu e que gerou sentido em mim.
Agora “dissestes” e “clamastes”? Perdoai-me senhor, mas merda para vós. Dizei melhor de vosso entendimento. Se vos escondeis nas curvas de sinais inquisitórios, nada de útil poderá vossa graça.
joão bentes
Comment by joão bentes — 08/10/2007 @ 12:06 pm
Muito interessante, tudo isto…
Está visto que para se falar da poesia é necessária uma “gralha”, ou a suspeita dela. A gralha é realmente uma ave muito palradora.
De qualquer forma, concordo com o que disseram todos: o poema ganhava coerência se as formas “tua” e “te” da 1ª estrofe passassem a “vossa” e “vos”, mas perdia muitos comentários.
Pedro Afonso
Comment by pedro — 08/10/2007 @ 12:09 pm
É muito fácil agradar. Basta ser correcto.
A “aparente” discordância gera-me sentido, e multiplicidade de sentidos. Não é nada de concreto, e por isso, para mim, coerente.
joão bentes
Comment by joão bentes — 08/10/2007 @ 12:20 pm
Foda-se!!! ‘Tá quieto, mas é… Inté.
Comment by hmbf — 08/10/2007 @ 12:46 pm
o problema do “poema” é q “quer” ser erudito. é obvio que o “poeta” n domina a lingua e entao pensou “deixa la enganar estas pessoas e escrever um portugues estranho” e começou a fazê-lo…
mas claro, as pessoas não são burras.
O “poeta” que se dedique a outra coisa.
Comment by Ju — 04/12/2007 @ 3:38 pm
dissestes?! clamastes?!´oh senhor….
Comment by Pereira — 04/12/2007 @ 3:48 pm
É claro que é fácil parar no erro que, evidentemente, existe neste texto. É fácil, também, deixar de olhar para todas as coisas que têm erros.
É claro que o forte deste poeta não é a ortografia, assim como a poesia não é o forte de quem fez estes últimos comentários, pois não percebo como se “demoniza” um poema e um poeta por dois erros, ou melhor, por um erro, pois os dois são o mesmo erro.
É evidente que será mais fácil para este poeta aprender a gramática e a ortografia do que para os recentes comentadores virem algum dia a conseguir ler poesia.
Pedro
Comment by pedro — 04/12/2007 @ 5:14 pm
Pedro Afonso sobre o erro: “Eu atribuiria essa mudança de tratamento à ironia.”
João Bentes: “Confesso que não me apercebi disso” ; “merda para vós”
Pedro Afonso: “É claro que é fácil parar no erro que, evidentemente, existe neste texto. ”
Resumindo e concluindo:
voces dois são um só. Vou fazer como o henrique fialho e pirar-me daqui. O Sulscrito, pela amostra que vi, é escumalha com a mania que é intelectual. O texto é mediocre mas n é só pela gramática. antes fosse. antes fosse!
Comment by Pereira — 05/12/2007 @ 8:28 pm
Caro Pereira,
até poderemos ser “escumalha”, até pode, o senhor, ter a impressão que somos “esculmalha com a mania que é intelectual”. O texto até pode ser “medíocre”. Mas o senhor é que não se pode “pirar daqui”! Já reparou nisso… Até pode estar certo cerca de tudo o que os outros fazem, coisa de que duvido, pois nada conhece. E o que conhece, conhece-lo através de preconceitos. Mas acerca do que você mesmo pode fazer: engana-se. O que aqui deixou não se “pira”, o que viveu e lhe sobreviveu, não se “pira”.
Aliás, o seu nome de árvore nunca o permitirá: é estático e muito antigo, oh Pereira.
Com rabugentos podemos nós bem. Olhe bem para o que é o Sulscrito e veja que, sem ser nada de especial, nem sem deixar de ser medíocre, não é nada daquilo que você gostaria que fosse.
Um abraço sincero.
Pedro Afonso
Comment by Pedro — 05/12/2007 @ 11:43 pm
O que o pereira disse não é descabido. O Pedro Afonso parece que é o pai do João Bentes, que aceita inconscientemente a autoridade. Se o Pedro Afonso não influenciasse tanto o João Bentes este ainda podia fazer coisas com jeito neste mundo da literatura.
Deixa o rapaz soltar-se, Pedro. Tu podes ter estudado tudo e mais alguma coisa mas és o pior “condutor”. Ninguém to diz mas digo-te eu. O Bentes já te imita a escrever, o que é muito triste. Dá um tempo ao rapaz, vai dar uma voltinha, vai ao café, get a life…
Compra um bom romance e reflecte sobre o que andas a fazer ao rapaz.
Henry
Comment by HF — 06/12/2007 @ 12:19 am
muito bem ,muito bem… a malta gosta é de insultos.
alguém que nos conhece, mas nada percebe do que se passa, nem deve ter lido nem um texto meu, nem um do João. Se o tivesse feito notaria que em nada se aproximam as nossas escritas. Aliás, se há alguém que influencia alguém, entre nós os dois, sou eu que sigo o João, não na forma da escrita, pois nunca conseguiria, mas no que o que ele escreve me diz. O João é um poeta e, ao contrário do que dizes, fará muitas coisas com muito jeito neste mundo da literatura. Eu, já não tanto, creio.
Quanto ao que ando a fazer ao “rapaz”, que a virgem te foda, não percebo o que possa ser, ele é quase um ermita e vemo-nos quando tu nos vês, HF, e falamos mais sobre a maré do que sobre literatura.
É claro que o que o senhor pereira diz até não é descabido: somos realmente “escumalha” e que se arrisca a pensar e a fazer coisas; façam um manifesto anti-sulscrito, chamem a bófia, que já se percebeu que é “isto” que vos incomoda.
Pedro
Comment by Pedro — 06/12/2007 @ 8:46 am
Ai ai, que divertido! Peço desculpa, mas de facto não visitava o meu blog favorito há imenso tempo. E olhem, cá estou eu sem intectualismos e palavras caras para vos dizer que eu, Patrícia Branquinho (não, não tenho problemas em assumir o que penso, acho e sinto), sublinho e reafirmo o especial carinho e satisfação de ver realmente alguém fazer alguma coisa. E falo de pessoal da minha geração (a “rasca”, recordo), que a não ser a melhor, é precisamente igual às outras. E por falar em outras, venham elas… as bocas, os desafios, os caralhos, merdas e carecas. Só fico a ganhar numa coisa: já tive a liberdade de vos ver a beber umas jolas!!! Ah ahaha, que lixem os que não o conseguiram ainda!!!
Bjs fofinhos
Comment by Tisha — 13/12/2007 @ 11:59 pm