então mudem a marca
O surgimento de um movimento literário tem o seu interesse e cria expectativas. Um projecto – Texto-al –, que se designa por “novo círculo literário do Algarve” tem as suas implicações e aumenta a confusão rotativa no que se deseja Círculo estável onde todos possam embarcar sem serem cuspidos por força do andamento e da velocidade (cópia desenfreada, neste caso). Porque se já existe um círculo (Sulscrito) por que não criarem um eixo? Ou um grupo? Ou uma seita? Se a imaginação foi corrida do texto – al, proponho para o novo projecto a indicação de “Peregrinos Literários do Algarve”. Com alguma fé e boa vontade não se repetem designações e não se copiam fórmulas. Mas o catálogo é longo e eu até ponho à vossa disposição uma série de opções e slogans que costumamos encontrar em dias de suspeita inspiração. Por que não experimentar “meia-lua da literatura algarvia”, ou “pôr-do-sol literário do Algarve”? E que tal “Vai de roda a cultura no Algarve”? É mais fácil e cómodo reciclar ideias que já existam, não é? Também acho, no vosso caso. Mas eu ajudo-vos: se espreitarem a vasta (como quem diz) galeria de figuras geométricas, são capazes de encontrar alguns tipos de triângulos, e rectângulos, ovais e quadrados. Vamos experimentar? “Triangulo obtuso-literário do Algarve” (rico na sua imagem, sugestivo sem escandalizar, e se não o querem em figura permanente, sempre podem utilizá-lo em sentido figurado). “Quadrado literário do Algarve”, tem os lados todos iguais e a sua expressão representa o mais democrático sistema das ideias, como por exemplo: entre quatro cabeças a originalidade está salvaguardada; é uma figura que confere resistência às ideias conservadoras, serve de sala de recobro para mentalidades com alto nível de imaginação, e oferece ambiente tranquilo para oportunismos floreados e conversas de lapela. Meus amigos, sejam bem-vindos ao carrossel da literatura do Algarve, pois só com um círculo não vislumbrávamos nenhuma pista que nos colocasse na recta literária da vanguarda, não havia termo de comparação, e eis que o figurino mudou, graças ao aparecimento de outro círculo a rodar nos calcanhares como uma roda cujo destino é andar sempre uns palmos atrás a aguardar uma utópica oportunidade de recuperar a distância. Já ouviram falar em identidade? Então mudem a marca.
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