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31/03/2008

então mudem a marca

O surgimento de um movimento literário tem o seu interesse e cria expectativas. Um projecto – Texto-al –, que se designa por “novo círculo literário do Algarve” tem as suas implicações e aumenta a confusão rotativa no que se deseja Círculo estável onde todos possam embarcar sem serem cuspidos por força do andamento e da velocidade (cópia desenfreada, neste caso). Porque se já existe um círculo (Sulscrito) por que não criarem um eixo? Ou um grupo? Ou uma seita? Se a imaginação foi corrida do texto – al, proponho para o novo projecto a indicação de “Peregrinos Literários do Algarve”. Com alguma fé e boa vontade não se repetem designações e não se copiam fórmulas. Mas o catálogo é longo e eu até ponho à vossa disposição uma série de opções e slogans que costumamos encontrar em dias de suspeita inspiração. Por que não experimentar “meia-lua da literatura algarvia”, ou “pôr-do-sol literário do Algarve”? E que tal “Vai de roda a cultura no Algarve”? É mais fácil e cómodo reciclar ideias que já existam, não é? Também acho, no vosso caso. Mas eu ajudo-vos: se espreitarem a vasta (como quem diz) galeria de figuras geométricas, são capazes de encontrar alguns tipos de triângulos, e rectângulos, ovais e quadrados. Vamos experimentar? “Triangulo obtuso-literário do Algarve” (rico na sua imagem, sugestivo sem escandalizar, e se não o querem em figura permanente, sempre podem utilizá-lo em sentido figurado). “Quadrado literário do Algarve”, tem os lados todos iguais e a sua expressão representa o mais democrático sistema das ideias, como por exemplo: entre quatro cabeças a originalidade está salvaguardada; é uma figura que confere resistência às ideias conservadoras, serve de sala de recobro para mentalidades com alto nível de imaginação, e oferece ambiente tranquilo para oportunismos floreados e conversas de lapela. Meus amigos, sejam bem-vindos ao carrossel da literatura do Algarve, pois só com um círculo não vislumbrávamos nenhuma pista que nos colocasse na recta literária da vanguarda, não havia termo de comparação, e eis que o figurino mudou, graças ao aparecimento de outro círculo a rodar nos calcanhares como uma roda cujo destino é andar sempre uns palmos atrás a aguardar uma utópica oportunidade de recuperar a distância. Já ouviram falar em identidade? Então mudem a marca.

fep

23/03/2008

Mais Poesia Lida no Palavra Ibérica

Arquivado em: ecos

(selecção e vídeo de Adão Contreiras)

19/03/2008

Palavra Ibérica - poesia dita

Arquivado em: ecos

Mesa de poetas “En Femenino Plural”.
Poesia de Maria Gomez, Magarida Vale de Gato, Rosario Cabaña, Josefa Virella e Diana Almeida, dita pelas próprias (excepto a Margarida V. Gato, de quem os poemas foram lidos pela Diana Almeida):

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Mais imagens do Palavra Ibérica, via Adão Contreiras.

Mesa com os directores dos encontros “Correntes D’escrita” (Manuela Ribeiro) e “Voces del Extremo” (Antonio Orihuela) e a apresentação do livro “Pequena Antologia para o Corpo” de Luís Filipe Cristóvão:

Destruição da Natureza, Parque da Ria Formosa, Ludo, Faro

Mais acerca do desbaste de de árvores no Parque Natural da Ria Formosa, no Pontal, zona do Ludo junto à estrada para a Praia de Faro.

Aqui no Jornal “Região Sul”.

Quem conhece o Ludo junto à estrada para a praia, antes da última curva, reconhece a àrea deste cenário?

ludo_1

(foto “Região Sul”).

17/03/2008

Destruição da Natureza, no Ludo, em Faro


No Ludo, em Faro, 5ª feira passada.
Destruição não sinalizada, sem identificação de responsável.
Alguém sabe do que se trata?

poesia dita no chalé João Lúcio (2)

Arquivado em: poemas, ecos

*

oh meu algarve
pareces manter
ainda assim
uma tendência incorruptível de azul
como céu
ainda
esse rasgão de cor
que nos ultrapassa
ainda sim
ainda por agora

de resto
oh meu algarve
és uma nódoa indelével
na conspurcada toalha
que é esta
que nos estenderam
no máximo como país

mais uma
oh meu algarve
mais uma nódoa
do que caiu da sobra da boca
de quem não olha ao que devora

oh me algarve
frúnculo de alcatrão e cimento
que calado rebenta
em areias de pus para um mar
que já não lava

de pernas abertas à invasão sazonal
que nunca te poupa
porque és barato e sem sentido
oh meu algarve
atravessam-te sem nunca olhar
o rosto que outrora tiveste
nem os rios te choram já
serras abaixo
restam-te as calçadas
peganhentas de cerveja
como lágrimas que se cristalizaram
sob os pés da indiferença

oh meu algarve
nem te lubrificaram na sodomização
e na dor silenciosa do teu corpo
fugiu-te a esperança e o grito
resta-te agora apodrecer
secar
nódoa desbotada
ao sol
que te dá a conhecer

*

venham
venham todos
besuntados de bronzeador
embandeirados de guarda-sóis
como que para reclamar
um pedaço de terra virgem
venham para o algarve no verão

venham todos
de corpos gordos e pendurados
da mamagem dos dias
de corpos esbeltos e magros
da labuta no ginásio
venham
para esse algarve de areia e mar
e de céu azul

venham todos
para a colónia de férias barata
para o aparthotel de segunda
para a casa a 1000€ a quinzena
ou para o resort de 25 estrelas
venham

venham todos
de inglaterra ou da holanda
da irlanda ou da alemanha
de lisboa ou do porto
de olhos vendados até ao quarto
que vos espera junto à praia
venham

temos muita cerveja e melancia
muita luz e noites quentes
muita areia e muita água
temos bares e discotecas
para os de primeira ou de segunda
até já temos música erudita
e festivais de tudo um pouco
graças a um “L” a mais no nome

venham venham todos
para o ano haverá mais
apartamentos para alugar
e rouba-se um pouco à praia
que a areia
essa
ainda não é a pagar
venham venham todos
entupam as estradas e o estacionamento
amontoem-se nas praias e nas piscinas

venham venham
venham comer o frango da guia
ou provar a amêijoa da ria
assar sardinha de espanha
e beber sumo de laranja prá ressaca
temos putas e camarão
tudo pago a meio tostão
para quem vier de cima

“temos palhaços e acrobatas”
experts em golfe e salva-vidas
no verão sabemos fazer
de tudo por vocês
falamos todas as línguas
pelos cotovelos

venham venham todos
não se acanhem
deixem cá um ordenado por semana
que isto pró ano estará tudo igual

Pedro Afonso

poesia dita no chalé João Lúcio (1)

Arquivado em: poemas

Oh meu Algarve cimentado em prol
da luxúria verdejante dos resorts
deu-te deus um mar azul e tépido
onde lavas a cara à sombra das concessões
nos três meses que te salvam da fome

Oh meu Algarve ardente consumista
constrói aquários para os peixes doutra vida
e asseados museus p’rós artesãos falidos
lagoas do mais barato álcool
para os filhos delinquentes das inglesas
que hás-de foder na eternidade das tuas areias

Oh meu Algarve diamante bruto
reino da imóvel especulação
fantasia mais real do impossível
não és mais que a falta de orientação
dos iates louros desfilando nas avenidas
levantando o grosso cheque do futuro
entre as nalgas dos que mimam
projectos de ordenamento litoral

Oh meu Algarve limpo e desenvolvido
hás-de ser o melhor destino europeu
depois de plantares bananeiras e coqueiros
e recifes de água azul e soberba
em que nadem tubarões e jet-skis

Oh meu Algarve desta gente tão contente
estás na crista da onda higienista
tens o oiro do caviar esfacelando-te as ventas
e um caranguejo verde-lodo murraceiro
protegido nos alguidares da reserva natural
na fundura de um anzol que ninguém usa
é dizimada a vida dos teus filhos

Oh meu Algarve do medronho e do figo
estância balnear dos pródigos sobrinhos
que agitam as velas do progresso
brincando aos homens sérios de ideias
desvinculadas do sou e do que acredito

Oh meu Algarve impressionista e trágico
hão-de enterrar-te como tudo o que matam
em todas as cidades de ti já extintas
com a culpa de mil deuses às costas
o teu destino é pedante servilismo

Oh meu Algarve desta juventude atónita
empenhada no cu de um fazer engolido
pela vontade de um querer ser contra
vestida à freak resignada mas direitinha

Oh meu Algarve branco esquizofrénico
infecto burguês viciado decrépito
és o que sempre foste e nada menos serás
o sol ardente com que te vendem aos caprichos
o vasto mar azul escondendo-te o lixo

Oh meu Algarve
adeus
que se foda a herança do meu pai
e tudo o que de ti subsista
porque o que tenho vai mais alto
e não é esperança cruel
nem outros tantos anos de mentira

João Bentes

16/03/2008

Palavra Ibérica - Imagens (2)

Arquivado em: ecos

Mais videos do Palavra Ibérica 2008 da autoria do Adão Contreiras:

apresentação dos livros vencedores do prémio de poesia.

alguma poesia dita à noite pelos autores participantes:

Eladio Orta e Golgona Anghel.

Elisa York, Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené e João Bentes.

12/03/2008

Feira de Ideias

Arquivado em: divulgação

Neste Sábado, dia 15, à tarde vamos estar na Ecoteca de Olhão\Museu João Lúcio a ler alguma poesia de intervenção com o Algarve como tema.

É mais uma Feira de Ideias com Cheiro de Framboesa, um evento diverso. Podem consultar o programa aqui.

Apareçam, tudo começa de manhã e estende-se até ao final do dia (ou mais) num local bastante agradável: o Chalé João Lúcio, edifício de arquitectura simbolista, junto à Ria Formosa.

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Imagens do Palavra.

11/03/2008

vozes ibéricas

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: mais duas vozes do encontro palavra ibérica.

Palavra Ibérica por quem lá esteve

Arquivado em: divulgação

Mais do Palavra Ibérica 2008 por alguns dos participantes.

Aqui, aqui e aqui.

10/03/2008

Palavra Ibérica - testemunhos

Arquivado em: divulgação

Já vão aparecendo os primeiros relatos, episódios e testemunhos do 3º Palavra Ibérica.
Aqui, aqui, aqui, aqui.

Hão-de aparecer mais. Estejam atentos, nós vamos tentando estar.

Quanto a mim, gostei muito de rever os que já conhecia, tanto quanto gostei de conhecer aqueles que conheci.
Foi mais intenso, cada vez mais próximos uns dos outros. É já uma ponte, o Palavra Ibérica.
Parabéns Uberto e obrigado por tudo. Para o ano tentaremos que seja tão bom, em Vila Real de Santo António.
Não é fácil, mas é imparável.

Abraço a todos.

Pedro

01/03/2008

Relembramos

Arquivado em: divulgação

img_pi_08

PALAVRA IBÉRICA 2008
III Encontro Hispano-luso de Escritores
Punta Umbría 7 e 8 de Março de 2008

É já a terceira edição do Encontro Palavra Ibérica, desta vez em Punta Umbria, como na primeira edição.

O Encontro Palavra Ibérica pretende ser uma ponte intercultural entre países de expressão ibérica e um local de encontro de pessoas e culturas. Encontra-se inserido no projecto com o mesmo nome do qual faz parte ainda uma colecção de livros bilingues de poesia e um prémio internacional de poesia (ambos com o nome Palavra Ibérica).

Neste encontro privilegia-se o contacto e convívio entre os escritores das várias nacionalidades e entre estes e o público. Procura-se a divulgação das línguas e das literaturas de expressão ibérica, assim como dos autores, obras e projectos que sempre se encontram e se criam nestes dias.

O ano passado o encontro decorreu em Portugal, em Vila Real de Santo António, organizado pelo Sulscrito e pela Câmara Municipal da cidade em parceria com as entidades acima referidas.

Os parceiros do Palavra Ibérica:

Ayuntamiento de Punta Umbria
Câmara Municipal de vila Real de Santo António
Casa da Cultura de Punta Umbria
Sulscrito - Círculo Literário do Algarve
Editora Livrododia (na colecção)

Fica o programa para este ano em Punta Umbria, apareçam.

Programa:

SEXTA FEIRA - 7 de Março

19:00h. Sala Polivalente

Inauguração do III Encontro hispano-luso de Escritores PALAVRA IBÉRICA

Antonia Hernández Galloso (Vereadora da Cultura do Ayuntamiento de Punta Umbría)

José Carlos Barros (Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Vila Real de Sto. António)

Fernando Esteves Pinto (Círculo Literário do Algarve “Sulscrito”; Co-coordenador Palavra Ibérica)

Uberto Stabile (Coordenador do Encontro hispano-luso de Escritores Palavra Ibérica)

19:30h. Sala Polivalente

Acto de entrega e apresentação dos Prémios Internacionais de Poesia Palavra Ibérica 2007

“El sitio justo” de Rafael Camarasa (Valencia)

“Sobre as imagens” de Amadeu Baptista (Viseu)

20:30h. Sala Polivalente

Cara a cara, verso a verso: outros tempos para a lírica.

José Mário Silva (Lisboa)
Manuel Moya (Fuenteheridos, Huelva)

21:30h. Sala de Exposições do Teatro del Mar

Inauguração das exposições fotográficas:

Paula Ferro (Tavira)
Angeles Santotomás (Huelva)

22:30h. Gran Café Nexo

Eladio Orta (Ayamonte)
Golgona Anghel (Lisboa)
Elisa York (Sevilla)
Tiago Nené (Faro)
Manuel A. Domingos (Manteigas)
Miguel Godinho (Vila Real de Sto. António)

SÁBADO 8 de Março

11:30h. Sala Polivalente
Apresentação do livro “Lo que cayó del Conquero - Antologia de Narradores Onubenses”

Apresentam:
Marcos Gualda
Uberto Stabile

Intervenções de: Rafael Delgado
Francis Vaz
Manuel Garrido Palacios
Manuel Moya

13.00h.
Cara a cara, verso a verso: espaços para a poesia

Manuela Ribeiro (Directora do Encontro “Correntes d’Escritas” de Póvoa de Varzim, Portugal)

Antonio Orihuela (Director do encontro “Voces del Extremo” de Moguer, España)

18:00h. Sala Polivalente

Apresentação dos livros e recitais poéticos dos autores da colecção Palavra Ibérica

“Las moradas inútiles”de José Carlos Barros (Vila Real de Sto. António)
“Só mais uma vez” de Uberto Stabile (Valencia)
“Pequeña antología para el cuerpo” de Luis Filipe Cristóvão (Torres Vedras)

20.00h. Sala Polivalente

No feminino plural

Margarida Vale de Gato (Lisboa)
Josefa Virella (Huelva)
Ana Mafalda Leite (Moçambique)
María Gómez (Isla Cristina)
Diana Almeida (Lisboa)
Rosario Pérez Cabaña (Sevilla)

22:30h. Gran Café Nexo

Pedro Afonso (Faro)
José Varós (Granada)
João Bentes (Faro)
Carmen Camacho (Jaén).
Eduardo White (Moçambique)
Antonio Orihuela (Moguer)











































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