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30/04/2008

perante a solidão

Arquivado em: poemas

Depois da leitura particular da sua própria vida
cada um se debruçou na essência literária que o coração indicava.
Em forma de livro ela sentia que não eram aqueles os seus caminhos.
Palavras brutas e ingenuamente arrependidas.
Verdades que por serem desfocadas,
davam uma péssima fotografia da vida.
Fecharam os livros no limite do sofrimento.
Nunca uma história é uma ponte
de entendimento para o nosso prazer.
Ele deixou a sua alma a marcar uma página.
Tão inconsciente estava no tumulto das palavras
que a razão se enrugou perante a solidão.

fep

26/04/2008

uma fonte de vida no cérebro

Cede-se espaço físico-social por motivos de obsolescência existencial.
Não inclui carácter nem honestidade adquiridos durante a vida.
A identidade é oferta por saturação viciosa da parte do sistema.
Homem de meia idade recusa-se a permanecer num espaço
de existência constantemente posto em causa, como se o tempo
fosse uma viagem que ele tivesse de pagar.
Em troca do seu doméstico destino,
dêem-lhe um deserto com uma fonte de vida no cérebro.

fep

24/04/2008

fotografia rasgada com livro e mesa de leitura

Arquivado em: poemas

A fotografia compõe-se em três pensamentos.
Em redor da infância há uma mesa
E no centro a olhar para quem lê
revela-se a agressividade de quem pensa.
Os olhares são tristes ou apenas se protegem
do sofrimento das primeiras palavras.
A mãe pensa dizer o que alguém esboçou com violência.
Temos um espaço guerreiro e analfabeto.
O pai julga ocupar o coração blindado do tempo humano.
Vejo-o despedaçar-se pelo caminho do seu próprio pensamento.
Às vezes tenho esta imagem de mundo
dividido em três superfícies que a linguagem do desespero ordena.
O jogo da verdade é uma mesa humanamente distante
e a imagem que compensa a escrita
o retrato da razão profunda.

fep

23/04/2008

uma consciência do tempo

Tenho uma relação com o tempo que não desejo a ninguém. Lembro-me de ser criança e estar sentado ao sol a ver as sombras deslocarem-se no chão. Pensei nesse instante que, mesmo que eu não fizesse nada e me mantivesse imóvel, o tempo haveria de fazer alguma coisa por mim. Em vez de ser eu a exercer qualquer tipo de actividade sobre o tempo, seria o tempo a abrir-me o espaço para a contemplação vazia do ser. Sempre esperei toda a minha vida. Se houve coisa que o tempo me deu, foi a paciência de esperar que algo me acontecesse. Como eu tinha a convicção de que o tempo estava sempre a mudar de disposição, acreditava cientificamente que também eu mudaria e passaria a ser instrumentalizado pela sua passagem. Mas o tempo é um processo variável e a sua velocidade e lentidão são accionadas pela necessidade humana. Conclui então que eu era uma consciência do tempo. Quando me encontrava sozinho, o tempo tinha um comportamento lento e caprichoso como uma solidão; mas quando estava com alguém, o tempo era a soma de duas consciências temporais a consumir um espaço abstracto. Nunca gostei de pensar que o tempo não perdoa. Se o tempo fosse emocional e me condenasse sentimentalmente, eu sentir-me-ia uma sombra que ele deslocasse com uma exactidão humana. Mas tenho o meu pensamento para contrariar o poder que o tempo exerce sobre mim. O facto de o tempo me observar não lhe dá o direito de alienar a minha presença. Eu sou uma sombra que desobedece às regras meticulosas do tempo. E essa será, fatalmente, a minha transgressão existencial.

fep

22/04/2008

coitado, dêem-lhe um blogue

O amor não é para todos, logo, o sexo é só para alguns. Dito assim poderá parecer frio e pessimista da minha parte, mas a frase lamentosa nem sequer é minha. E faz todo o sentido, pois o autor sentimental deste desabafo enlouqueceu por sentir isso mesmo numa determinada fase da sua vida. Tinha dezasseis anos quando se apaixonou pela madrinha de baptizo, uma mulher cinquentona, solteira na maternidade e no prazer. O meu amigo louco cresceu no colo da senhora, e transportou até à idade quase adulta o conforto e o carinho que recebia sem maldade nem proibições afectivas. Depois veio a adolescência e desalojou-o das características infantis como a inocência e dotou-o de um desejo carnal por aquela que fora mais que sua mãe. O reconhecimento que o louco apaixonado fazia do amor recebido em criança por aquela mulher, desejava ele agora reabilitá-lo numa relação adulta com base no sexo. É verdade. Se antes fora a criança pura, embalada entre os seios opulentos da senhora ( ou talvez até servisse de brinquedo sexual e alimentasse nela algumas perversões cautelosamente disfarçadas pelos cuidados intensivos do amor de madrinha ), agora o meu amigo louco reclamava com todo o seu delírio e paixão o prazer do corpo proibido, como se fosse esse o momento em que ele teria de pagar a sua dívida emocional por ter sido tão amado em criança. Mas a madrinha expulsou-o do seu coração, sacudiu-o do regaço perigosamente ameaçado pela ambição sexual do afilhado, como se ele representasse para ela apenas uma migalha sentimental. E de nada lhe serviu as cartas que escrevera à madrinha, revelando-se na dor do abandono e sob o efeito de uma tempestade de lágrimas, em que evocava pôr fim à vida. No entanto, nenhum contacto físico com a madrinha fora suficiente para o encorajar a envolver-se sexualmente com outra mulher, e assim virgem se conservara até ser internado num hospício, a declarar o amor infantil e complexo que sentia pela madrinha, ao colo duma mulher apática como ele, a acariciar-lhe os cabelos lisos e a oferecer-lhe os seios caídos, para que o louco como ela alimentasse as suas perversões. Se houvesse uma moral da história, penso que seria esta: nunca leves o amor da infância para a idade adulta. Podes enlouquecer.

Aceitam-se sugestões para outras moralidades.

fep

21/04/2008

maldito blogue

Poeta das mulheres improváveis e do amor à distância, o jovem advogado revelou-me a sua nova paixão por uma leitora desconhecida. A ciência amorosa que o incomodava assentava na seguinte questão: pode alguém amar uma pessoa só pela ideia que se constrói sobre ela. E foi adiantando que já havia fabricado um sentimento que consistia numa emoção abstracta com base na ideia da leitora em causa. Simplificando: será possível amar a consciência de uma mulher, ignorando se ela é gorda ou magra; alta ou baixa; ou se é feia ou bonita? O conhecimento do rótulo físico da mulher não será um pormenor condicionante, uma senha visual que nos impossibilita o acesso ao seu interior? Exactamente, disse o jovem advogado, como eu gostaria de amar essa leitora desprovida do seu próprio corpo. Interessa-me possui-la para além da aparência que ela apresenta perante os outros. A minha ideia do amor baniu para sempre a imagem física, corpórea. Não é o belo o que mais me interessa para me sentir feliz; não é a foto-carnal que a mulher exibe no seu dia-a-dia em relação com os outros. Não estranhes, mas o que me fascina numa mulher é precisamente o que ela pensa e sente sobre ela própria, e fascina-me a capacidade brutal de ela exteriorizar esse saber, como se eu fosse o seu universo. Da mesma forma que eu amo a ideia de um amor incorpóreo, também sou capaz de amar no mistério do amor dessa mulher. E ela ama-te?, perguntei ao jovem advogado. Penso que ela tem medo da ideia desse amor. Ela tem uma consciência muito activa para poder aceitar o amor de alguém. Vive dentro de si mesma. Vive o seu próprio amor, a sua ideia amorosa da vida. Vive em dupla personalidade com alguém, talvez com ela própria. Até já lhe ofereci um blogue.

fep

19/04/2008

a importância de ter um blogue

” Tenho uma amiga que é tonta ou não gosta de homens “.
Foi com esta frase que o jovem advogado começou a contar-me a sua história sobre uma balzaquiana solteira que conheceu num desses encontros literários de fins-de-semana.
” Pode um homem roubar o amor a uma mulher?”

A história é simples.
O envolvimento entre os dois assentava quase exclusivamente nos comentários que ela lhe deixava no blogue de um amigo servil, talvez um lambe conas tipo lencinho renova sempre pronto a retocar-lhe a maquilhagem do coração, ou então um escravo da frustração feminina a servir de carroça aos desejos maníaco-depressivos da rapariga, sem qualquer compensação carnal. O jovem advogado lá ia lendo a literatura daquela alma esponjosa:

- frases ornamentadas por uma afectividade antológica.
- palavras de bijuteria novelesca a fazer um efeito de grande paixão.
- revelações de sexualidade tipo filme amador para casalinhos inexperientes.

Provocações pouco entesadas, pois a rapariga nem sequer usava cuecas fio dental.

É claro que o jovem advogado, nas respostas a tão cândida desenvoltura feminina, só podia ser um ordinário apaixonado. Ou um poeta reles. E na volta do seu coração atormentado, ele compensava-a com a seguinte ordem de desejos:

- quero pôr o meu sexo a segredar-te ao ouvido.
- marcamos um encontro com os teus seios no recanto mais florido do meu corpo.
- queres criar um blogue comigo?

Depois combinaram um encontro para a consumição das promessas, mas a decoração afectiva que existia entre os dois não resistiu, desfigurando o encanto cúmplice e amoroso da relação.

” A tonta da minha amiga só tinha histerismo dentro do coração”, lamentou-se o jovem advogado. E poeta do mais reles.
” Histerismo e medo de ser amada por um poeta como eu”, continuou ele.
“É uma mulher que ama pelos livros. Pelos posts que lhe escrevo. E masturba-se com os poemas que lhe dedico”.

Com as palavras dos bilhetinhos do jovem advogado, ou com as palavras do autor dos livros que lê? Pergunto.

Nada estava definido na cabeça do jovem advogado, mas ainda o ouvi dizer:

” A diferença fode tudo “.

E criou um blogue sozinho. O maior blogue do mundo.

Caixa de Comentários:

1.
constatei depois que a tontinha era conservadora no uso da lingerie, mas uma irreverente fodilhona. portanto, cueca aconchegante = mulher interiormente perversa. e tem dois sentidos, assim: cueca aconchegante = homem loucamente perdido no oculto interior feminino. espero que o sistema sexual esteja matematicamente correcto. caso contrário o jovem advogado será um péssimo amante. o fio-dental pertence a outras variações sobre o mesmo assunto. Talvez seja o título dum poema do jovem advogado.

amigo da tontinha

2.
se queres saber, não sou adepto da linha erótica interior feminina. e quando vou para a cama é sempre despido de qualquer roupagem ambiental que me leva a apreciar mais a natureza sexual da mulher em detrimento da moda-em traje-menor que ela adoptou para enriquecer as formas das suas capacidades amantes. o fio-dental é a mascarilha vaginal que só funciona no imaginário daqueles que quase nunca têm mulheres. os solitários do amor e do sexo cada vez mais longe.

jovem advogado

3.
as coisas que este homem sabe acerca das mulheres sem roupa interior.

anónimo

fep

18/04/2008

blogues e funcionalidades

Uma das coisas que mais me impressiona na cena dos blogues é a relação entre texto e leitores (comentários). Se é verdade que existem blogues que levam a escrita a sério, outros há que são pura distracção, charadas, manias. Se os primeiros (os sérios) carecem de comentários com fundamento; os outros assentam no disparate de opinião que os leitores sentem como uma necessidade para dar continuidade, por via da diversão, a uma função ridícula de se escrever e editar sem qualidades. Querem exemplos? Se alguém deixa registado num post que lhe dói a cabeça e não lhe apetece escrever, o sistema de comentários inunda-se doentiamente com dezenas de mensagens. E se alguém transcrever um texto de Nietzsche ou Sartre, o que acontece? Conheço um blogue onde os comentadores ( leitores dados aos costumes dos piqueniques ideológicos ) costumam estender uma toalha de disparates sobre as ideias contidas nesses trechos como se conspurcassem os lugares da mente. Vou ser mais directo: sobre uma ideologia de camus combina-se em que tasca se vai beber um copo de vinho ou comer um prato de caracóis.

E depois também existem aqueles blogues beijoqueiros. Escreve-se um poema florido e os comentários fazem bicha para agradecer de beiço fogoso tão profundas imagens e emoções. São poetas catequistas que usam a vida e o sol para camuflarem as suas próprias frustrações. Os versos que escrevem, se eu os representasse por desenho, tinham a imagem de caminhos eternamente perfumados por uma dor coberta de flores. Nesses posts ajardinados de tão doces palavras, os comentários chovem como pétalas de lágrimas, porque neste mundo da poesia que nasce da carência afectiva, autor e leitor agonizam no mesmo canteiro.

Quem nunca visitou um blogue onde se cultiva a futilidade verbal? Será que se escreve porque não se tem mais nada para dizer? Conheço vários blogues com pretensões humorísticas, mas a ideia que permanece depois de ler alguns posts é que o autor aprendeu a rir com o lado paralisado da sua própria vida. O interessante neste caso, e isso deve-se ao leitor que comenta ( provavelmente também ele a estudar para engraçado ) , é constatar que as mensagens têm uma qualidade irónica superior ao texto editado. Faz-me pensar que a brincadeira é uma função prática da própria vida, enquanto os assuntos sérios requerem outras distracções mais concentradas na existência.

Blogues onde os autores estão há beira do suicídio: atenção, psiquiatras. Os seus autores são maioritariamente meninas adolescentes que meditam e escrevem sobre a existência como um castigo que impõe a si próprias. Estar diante dum texto escrito por uma alma assim é como engolir um peixe com espinhas. Os temas andam muito por aqui: acham que os progenitores são o pior inimigo; sentem-se perseguidos e reservam uma indiferença de morte àqueles que os comentam, e para além desse nocturno de vida ainda se convencem que o amor é o último medicamento que desejam tomar. Não escrevem mal, mas a doença de pensar que ninguém os compreende leva-os a uma loucura risível de que a literatura faz gozo.

Que sentido faz um blogue sobre política num país de maus políticos? A censura e o comentário terão alguma propriedade sobre a disfunção de algumas ideias políticas? Eu percebo: esses blogues existem com a ilusão de ensinar como se governa uma sociedade. Abre-se o sistema de comentários ( como se o gesto fosse o mesmo que puxar um autoclismo ) e o debate está instalado: tudo o que se escreve sobre a governação dum país soa a inscrição de parede de casa de banho numa estação pública. E pelos vistos todos querem deixar uma impressão de merda sobre o que pensam dos vários assuntos retratados nesses blogues ( ou partidos virtuais? ).

fep

III Bienal de Poesia de Silves

Arquivado em: divulgação

A III Bienal de Poesia de Silves é já a 25,26 e 27 de Abril.

Poem’arte - nas margens da poesia.

O programa aqui e aqui.

12/04/2008

Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Arquivado em: Das Grandes Questões

A Liberdade é um instrumento político de silenciamento. Foi-o na Ditadura, pela via repressora; é-o na Democracia pela da exaltação. No primeiro tempo fez-se crer que nada mais seria possível, agora promove-se a possibilidade de tudo.

A Liberdade é a grande referência da sociedade contemporânea, que assenta sobre uma organização política profunda. Liberdade é ter direitos, mas é também ter deveres, ou seja, contrapartidas em nome do bem comum. Assim sendo, há dependência parcial e não há autonomia total. Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Nunca o Homem se conseguirá libertar de si mesmo, nem das dificuldades que gera à sua volta. Só no futuro, talvez não muito distante, em que assistirá à Destruição do Tudo, os que lhe sobrevivam apagarão a memória, porque serão somente isso: Livres.

joão bentes

09/04/2008

micro-resumo

Arquivado em: a poesia está na rua

ontem à noite chovia. cantei as ruas todas da cidade. cheguei a casa um pingo. caído.

Pedro Afonso

07/04/2008

Contos de Liberdade 2008

Arquivado em: divulgação

O programa completo dos Contos de Liberdade 2008, aqui.

Da Micro-Ficção

Li hoje o prefácio do Henrique Fialho à Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa. É um texto interessante que, para quem - como eu - tem pouca informação acerca da Micro-Ficção, oferece uma panorâmica introdutória que pode servir a outras leituras e que levanta questões importantes a considerar. O que mais me interessou foram as questões acerca do género e da relação deste com os outros que lhe fazem fronteira e a problemática relacionada com a sua dimensão reduzida e os tempos actuais.

O tempo sempre fugiu e o homem sempre correu atrás dele na tentativa desesperada de o ultrapassar, de lhe estar à frente ou de não ser por ele subjugado ou, pelo menos, de nele se sentir.
Diz-se que hoje o tempo foge mais rápido, que o nosso modo de vida lhe corresponde aumentando a velocidade da vivência, imediatizando os consumos, os produtos, as experiências.
Sempre fugiu, o tempo, hoje foge à nossa maneira.

Creio, concordando com o Henrique, que a génese da Micro-Ficção não se pode prender com os tempos actuais, com “as novas cronometragens da vida quotidiana”, com este “tempo sem tempo”. Estará, essa génese, mais relacionada com um outro imediatismo, com um imediatismo de longo efeito. Um imediatismo que aponta para o funcionamento da anedota, do aforismo, do ensinamento budista, como é referido no referido prefácio. O que passa por imediatismo é o acesso ao total do texto devido às suas dimensões.

Quanto à Micro-Ficção que hoje se escreve creio que o mais interessante é aquilo ao que o Henrique se refere como “a anulação das fronteiras dos géneros”, essa forma de experimentação que é sempre meta-literária, que passa por uma procura de originalidade e acende a sempre produtiva ambiguidade de classificação. Esta característica é sem dúvida uma riqueza, é sem dúvida uma fonte de questões.

E há a questão - que, como já disse, não passa pela génese - do “tempo sem tempo” e da dimensão deste género. De, hoje em dia, por exemplo nos blogs, ser um género literário em crescimento. Adapta-se a isso? É adoptado por isso? Serve mais a um tipo de leitura para o qual a maioria das pessoas está hoje disponível? Para o qual alguns escritores estão mais disponíveis e a partir do qual sentem comunicar melhor?

Quanto a mim, que tenho ensaiado algumas incursões na micro-ficção, o que me interessa é, sendo a poesia aquilo que escrevo, essa busca desse limite-fronteira, esse texto híbrido fora do espaço circunscrito a uma designação. É, para mim enquanto pessoa que escreve, um espaço de experimentação e, por vezes, de resvalo, para onde os textos vão fugindo.

O homem na esplanada atransparentava-se ao escrever. Era um poeta, conhecia-o, era meu vizinho. Sei que para voltar da sua invisibilidade escrevia pequenas histórias, dúbias, que lhe restituiam a cor a da certeza.

Pedro Afonso

Contos de Liberdade 2008

Arquivado em: divulgação

Começa já este sábado, dia 12 de Abril, o VI Festival de Narração Oral - Contos de Liberdade, um projecto da ARCA.
Vai decorrer durante todo o resto do mês de Abril (de 12 a 30).
Mais informação (e um conto) aqui.

06/04/2008

Então o que é que isto tem a ver com Poesia?

Arquivado em: Das Grandes Questões

Toda a verdade é, e de certa forma inalterável. É uma questão própria à consciência que se surpreende, talvez por excesso de pudor, talvez por falta de alternativa, talvez, por ela, a afirmação, ser a única que realmente importa existir, em toda a sua dúvida.

O que faz a questão ser a questão é o facto de não ter resposta. Porque será então que as pessoas se acomodam? Simples: não têm a grande pergunta. Agonizam no real e disso pouco se apercebem, porque não interessam as perguntas mas apenas as respostas.

Então o que é que isto tem a ver com Poesia? Podia ser a grande pergunta. A que interroga afirmando, a que é. Mas seja o que for tem de ser a verdade, o que é de certa forma inalterável.

joão bentes

Rapaz Areia

Pedro Afonso inicia publicação faseada, no seu blog a pedra, da obra inédita Rapaz Areia.

A obra poderá ir sendo lida conforme for sendo publicada aqui, categoria que juntará todos os textos do conjunto. Para já pode-se ler o prefácio.
O anúncio do autor pode ser lido aqui, também no seu blog.

03/04/2008

aí vem ela

Arquivado em: divulgação

A BICICLETA
A BIC
A BIC CLETA-DE CRETA
TAURUS COM PEDAIS
MINUS SEM PEDAIS
COM PÉ
DESCALÇO, DE MÃOS
SE DAIS
DE REPENTE
SEM CORRENTE
E
COM CORRENTE
TEM
TEM
DENTES – DENTES CONSONANTES
VOGAIS DEMENTES À DERIVA DE
CONSOANTES
BIS! BIS!
BIS CICLETA!
POIS CONCERTA!
CONCRETA!
BICICLETA CONCRETA

(BI-CI-CLE-TA-BI-CI-CLE-TA-BI-CI-CLE-TA)

Mandrágora

EDITA 2008

Arquivado em: divulgação

O EDITA está de volta. Este ano é de 30 de Abril a 3 de Maio, em Punta Umbria (Andaluzia), claro.
É já a 15ª edição do Encontro Internacional de Editores independentes e Editoras Alternativas, desta vez mais longo, com mais participantes vindos de mais países.
O Sulscrito vai lá estar, como tem vindo a ser habitual.
Fica o cartaz e a lista de editoras(es) participantes.

edita

EDITORES PARTICIPANTES
ANDALUCIA
ARBOL DE POE Málaga
ATRAPASUEÑOS Sevilla
AULLIDO LIBROS Punta Umbría, Huelva
EDITORIAL CACÚA Huelva
CANGREJO PISTOLERO EDICIONES Sevilla
CENTRO DE POESÍA VISUAL Peñarroya Pueblo Nuevo, Córdoba
EDITORIAL COCÓ Sevilla
REVISTA CHICHIMECA Huelva
CONTENEDORES Sevilla
CRECIDA Ayamonte, Huelva
DUM SPIRO EDICIONES San Fernando, Cádiz
EL COSTURERO DE ARACNE Monachil, Granada
EL GAVIERO EDICIONES Almería
EL OLIVO AZUL Sevilla
ENTRETELAS Granada
ESCUELA DE ARTE DE GRANADA Granada
EST LIBRI Huelva
FACTORIA DEL BARCO Sevilla
ISLAVARIA EDITORIAL Aljaraque, Huelva
LA CINTA DE MOEBIUS Huelva
LA ESPIGA DORADA Huelva
EDITORIAL LUZ Y CIA Granada
MÚSICA FUNDAMENTAL Huelva
EDITORIAL ONUBA Huelva
POESÍA EN LA DISTANCIA Huelva
TABULA ROSA Fuenteheridos, Huelva
TALLER DEL HECHICERO Sevilla
REVISTA TRANVIA Huelva
UNICO ESPACIO NÓMADA Sevilla
VOCES DEL EXTREMO Moguer, Huelva
REVISTA VOLANDAS Punta Umbría, Huelva

ARAGÓN
EDITORIAL ECLIPSADOS Zaragoza
REVISTA ECLIPSE Zaragoza
ESCUELA DE ESCRITURA Utebo, Zaragoza
MANUFACTURAS NADA Zaragoza
VACARESIGNS Zaragoza

ASTURIAS
ARIS Oviedo, Gijón
ATENEO OBRERO DE GIJÓN Gijón
LA ULTIMA CANANA DE PANCHO VILLA Oviedo
REVISTA LUNULA Gijón
PAQUEBOTE Oviedo

BALEARES
ESPACIOLUKE.COM Palma de Mallorca

CANARIAS
BAILE DEL SOL Tenerife
PUENTEPALO Las Palmas de Gran Canaria

CASTILLA LA MANCHA
EDITORIAL AMARGORD Chiloeches, Guadalajara
LA LATA Albacete
PUNTO MAS EDICIONES Y DISEÑO Fontanar, Guadalajara
EDICIONES SEGUNDO SANTOS Cuenca

CATALUÑA
AIRE Barcelona
CENTRE D’ART LA PANERA Lleida
LA OLLA EXPRESS Barcelona
LOS LIBROS DE LA FRONTERA Barcelona
LUCES DE GALIBO Girona
MERZ MAIL Barcelona
MONTFLORIT EDICIONS Cerdanyola Vallés, Barcelona

CEUTA
MESTER DE VANDALIA

EXTREMADURA
ASOCIACIÓN GUAIAIE Fregenal de la Sierra, Badajoz
DE LA LUNA LIBROS Mérida, Badajoz
LABOLSA Don Alvaro, Badajoz
LA HUEVERA Mérida, Badajoz

GALICIA
EDITA-T PALABRAS FLOTANTES Vigo, Pontevedra

MADRID
ARTIFARITI-ANJU Madrid
CUADERNODEPOESIA.ORG Madrid
DELSATELITE EDICIONES Madrid
DIÓGENES INTERNACIONAL Madrid
ELKOALAPUESTO Vallekas, Madrid
EXPERIMENTA Madrid
KA-ISLAS EDITORIAL Madrid
LA MÁS BELLA Madrid
LAPINGA EDICIONES Madrid
LITERATURAS.COM Madrid
OFICINA DE IDEAS LIBRES Madrid
PA’ COMER ‘APARTE Madrid
SOS emerginsumerginArt San Lorenzo de El Escorial, Madrid
TALLER DEL ARCE Torrelaguna, Madrid

PAIS VASCO
A FORTIORI EDITORIAL Bilbao, Bizkaia
EGUZKI ARGITALDARIA Bilbao, Bizkaia
KUKU-BAZAR Vitoria, Gasteiz, Alava
LA GALLETA DEL NORTE Barakaldo, Bizkaia
LA ÚNICA PUERTA A LA IZQUIERDA Portugalete, Bizkaia

VALENCIA
REVISTA CULTURAL BOSTEZO Godella, Valencia
DIARIOS DE HELENA Elche, Alicante
D (x)i MAGAZINE Valencia
LOS JUGLARES CAZURROS Godella, Valencia
MUSEO DE ARTE EXTEMPORÁNEO Elche, Alicante
EDICIONES TRASHUMANTE Valencia

ALEMANIA
REVISTA ÓXID Berlin

BRASIL
COMANDO MACONDO

CUBA
BOURAONELATELIER EDICIONES La Habana

MÉXICO

ATEMPORIA Saltillo, Cohahuila
ESTA REVISTA SE LLAMA BLASFEMIA San Luis Potosí
EL AGUAJE Guadalajara, Jalisco
ENCUENTRO DE ESCRITORES Ciudad Obregón, Sonora
ENSAMBLE COMICS México D.F.
MICIELO EDICIONES México D.F.
PALESTRA México D.F.
QUIMERA EDICIONES México D.F.
REVISTA REFLEJOS Ciudad Victoria, Tamaulipas
TALLER EDITORIAL LA CASA DEL MAGO Guadalajara, Jalisco
TEXTOFILIA México D.F.

PERÚ

EDITORIAL PILPINTA Lima

PORTUGAL

REVISTA BIBLIA Lisboa
REVISTA BIG ODE Almada
CANTO ESCURO Barreiro
CONFRARIA DE ALFARROBA Luz de Tavira
LIVRODODIA EDITORES Torres Vedras
MANDRÁGORA Cascais
SULSCRITO, CIRCULO LITERARIO DEL ALGARVE Faro
REVISTA UTOPÍA Lisboa

02/04/2008

Talvez seja isto

Dois seres humanos em confronto físico directo por um telemóvel. No épico de Kubrick, as tribos disputavam a posse de uma pequena poça de Água. Houve então um desses infelizes que descobriu que um osso pode partir outros ossos. Como se não chegasse, ainda veio o maldito paralelepípedo e os sons tenebrosos de Ligeti. A sorte foi que pelo menos um chegou até Júpiter. Será também interessante pensar no HAL 9000 que aniquilou os outros tripulantes da grande nave-mãe. Talvez seja isto e/ou/a Selecção Natural.

joão bentes

01/04/2008

Ma(i)s notícias culturais do Algarve

“Contos de Liberdade” cancelados este ano. Mais informações aqui.











































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