Então o que é que isto tem a ver com Poesia?
Toda a verdade é, e de certa forma inalterável. É uma questão própria à consciência que se surpreende, talvez por excesso de pudor, talvez por falta de alternativa, talvez, por ela, a afirmação, ser a única que realmente importa existir, em toda a sua dúvida.
O que faz a questão ser a questão é o facto de não ter resposta. Porque será então que as pessoas se acomodam? Simples: não têm a grande pergunta. Agonizam no real e disso pouco se apercebem, porque não interessam as perguntas mas apenas as respostas.
Então o que é que isto tem a ver com Poesia? Podia ser a grande pergunta. A que interroga afirmando, a que é. Mas seja o que for tem de ser a verdade, o que é de certa forma inalterável.
joão bentes

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Sim, talvez o que faça “a questão ser A Questão” seja “o facto de não ter resposta” apresentável.
Mas, o que é nos faz Questionar? Talvez seja devido a A Questão ter resposta, mas que essa seja inalcançável, indizível. Um devir para sempre na distância, para sempre para lá de cá.
Comment by Pedro Afonso — 06/04/2008 @ 5:10 pm
para nada interessa que seja inalcansável ou indizível, devir sempre na distância. isso são detalhes da ciscunstância. se não tem resposta, não tem resposta. só há A Grande Pergunta. perante isto só pode haver uma coisa: aceitar, e sem que nada seja negado. é essa a verdade que permite o autêntico, o puro.
joão bentes
Comment by sulscrito — 06/04/2008 @ 5:57 pm
mas existe o movimento, a curvatura do corpo interrogando-se: “o devir do gesto na distância inexpugnável” (isto aparece entre aspas porque não há itálico nos comentários).
Comment by Pedro Afonso — 06/04/2008 @ 8:43 pm
É. No fundo é isso. Só existe mesmo A Grande Pergunta, a que permite a poesia. A Grande pergunta permite a poesia, não é, nem pode ser, a poesia (pelo menos na minha maneira de ver a coisa).
Abraço
Comment by Miguel Godinho — 06/04/2008 @ 8:51 pm
É interessante que tenhas mantido a primeira frase exactamente da maneira que foi pensada inicialmente. Só faz mesmo sentido dessa forma, não é?
Comment by Miguel Godinho — 06/04/2008 @ 8:58 pm
sim, creio que não é, nem pode ser a poesia. Como digo, em relação à Verdade, num comentário no “f-utilidades”: “o que está no papel pode (e deve) ser motivado por ela e, ao mesmo tempo, apontar para ela.”
Comment by Pedro Afonso — 06/04/2008 @ 9:48 pm