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12/04/2008

Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Arquivado em: Das Grandes Questões

A Liberdade é um instrumento político de silenciamento. Foi-o na Ditadura, pela via repressora; é-o na Democracia pela da exaltação. No primeiro tempo fez-se crer que nada mais seria possível, agora promove-se a possibilidade de tudo.

A Liberdade é a grande referência da sociedade contemporânea, que assenta sobre uma organização política profunda. Liberdade é ter direitos, mas é também ter deveres, ou seja, contrapartidas em nome do bem comum. Assim sendo, há dependência parcial e não há autonomia total. Será isto a Liberdade ou a fuga fácil para a vitória necessária?

Nunca o Homem se conseguirá libertar de si mesmo, nem das dificuldades que gera à sua volta. Só no futuro, talvez não muito distante, em que assistirá à Destruição do Tudo, os que lhe sobrevivam apagarão a memória, porque serão somente isso: Livres.

joão bentes

8 Comentários »

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  1. “Ser Livre” é não ser “sujeito”, não estar “sujeito”. Isso interessa? Ou melhor, será melhor? Será possível?

    Convém não confundir “Liberdade” e “libertação”. A primeira estará, creio, ligada ao indivíduo e à sua consciência e ao que se liga ao seu “livre arbítrio” dentro da sua condição ou sujeição. A segunda - que nunca é livre da primeira - liga-se ao contexto sócio-político que o indívduo enfrenta.

    Como já falámos, a Liberdade, no seu sentido absoluto, não será a utopia das utopias de quem, para ser/estar, é-o sempre numa “condição”?

    Concordo que seja um instrumento político de silenciamento, no sentido em que serve para justificar “meios” intoleráveis para fins dissimulados. Isto acontece (quase) sempre através de um anúncio de uma acção de preservação da “liberdade” e dos direitos, que encobre sempre atentados a outras formas de liberdade e de direitos.

    Por exemplo, a sociedade portuguesa libertou-se há 34 anos da ditadura. Será agora, ou ficou depois disso, Livre?

    Pedro

    Comment by plafonso — 13/04/2008 @ 1:38 pm

  2. Penso.Sou livre.nada me é dado que não possa aguentar.

    Comment by Miguel Barroso — 16/04/2008 @ 10:50 am

  3. o período das grandes narrativas que conduziram aos totalitarismos modernos de hitler, staline e sim.. salazar chegou ao fim. hoje, essa possibilidade de tudo, é em termos estilísticos como a paródia ou pastiche, nostalgia ou moda retro levada a cabo pelo neocolonialismo, capitalismo multinacional e sociedade de consumo. o que outrora foram os discursos, hoje não passam de meras ficções. as palavras perderam a sua antiga substancialidade. Matámos o discurso, matámos a palavra e com ela arruinamos o cariz simbólico e estabilizamos as alegorias. ontem, o que era uma atitude positivista e optimista face à arte e à possibilidade de um progresso contínuo, hoje é o cepticismo e a incerteza. de repente tudo se misturara. o estilo do presente é o ecletico, esgota no seu potencial de inovação e criatividade.

    para lyotard, a complexidade e o pluralismo da cultura pós-moderna só podem ser uma vantagem, ao exigirem o respeito pela diferença e pela diversidade.

    é em todos os casos um momento de desorientação e de perda generalizada de sentido este eterno presente. trata-se da continuação do projecto do moderno e da emancipação do homem levada a cabo pela racionalização de tudo organizar e justificar. a culpa é do kant quando fragmentou a totalidade da experiência. seguiram-se-lhe outros; e depois o saber; e agora o poder…
    O agir político e a liberdade prometida a todos os homens, centralizou-se na figura do estado; o capitalismo tornou-se comercial; o consumo generalizou-se e a arte perdeu as suas fronteiras (se é q alguma vez as teve) cada vez mais indestinta do entretenimento -dizem uns-. desacreditado o valor da originalidade; o impulso perdeu a sua autoridade.

    TUDO SOFRE COMPLEXOS REALINHAMENTOS.

    Comment by * — 16/04/2008 @ 10:12 pm

  4. será que Lyotard se enganou? Ou, pelo menos, não viu tudo…
    Será que mesmo “explicado às crianças” esse pós-modernismo não encaixa na perfeição com o que se verifica acontecer?
    “A complexidade e o pluralismo da cultura pós-moderna” até podem “exigir respeito pela diversidade”, mas o resultado prático, que se inscreve no dia-a-dia, é o da massificação e da uniformização. Ou seja, até nesses pluralismos houve uma disputa e dela venceu o que se impôs melhor como produto de consumo. Daí implantou-se como modelo e propagou-se e, sendo o mais “forte”, na sociedade de consumo, uniformizou de novo. O respeito pela diversidade continua a ser marginal, para muitos considerado terrorista, e tende a tornar-se INTOLERANTE para com o liberalismo. Isto é: não pode ir nessa conversa.
    As grandes narrativas lineares acabaram (é certo?) e a liberdade só tem um campo: o da consciência (não foi assim sempre?). As libertações de condições de opressão (politica, social, económica) continuam, melhor, a luta por elas continua, mas a “promessa” de uma sociedade justa e livre é actualmente risível. A libertação, neste momento, dá-se com o objectivo de criar mais sociedades de consumo ou massas de mão de obra barata.

    Evidentemente que nos deparamos com um momento de grande desilusão e de desacreditação. A arte está por cá com os mesmos sentimentos. Agora, tendo consciência disto, cabe àqueles que a fazem tomar, ou não, parte nesse conformismo ou tolerância indiferente.

    Cá por mim, não. Venha o esquizo-resistente que milita longe da apatia e que está Vivo.

    Pedro Afonso

    Comment by plafonso — 17/04/2008 @ 9:00 am

  5. … e mais.

    essa da “arte indestinta do entretenimento” não pega. Não o é, nunca, para mim. Sou totalmente intolerante a isso e continuo a não ter problemas em tomar contacto com a arte. Isso é uma vontade. Há os que se diluirão e os que não.
    Também pode parecer que a publicidade e a arte convergem. Também não vou nessa conversa.

    Só quem vai cedendo a estes dias de morte é que lhe pode parecer isso. Este “tempo sem tempo” é o que pede, certamente, mas é isso, precisamente, que não lhe podemos ceder.

    Pedro

    Comment by plafonso — 17/04/2008 @ 9:19 am

  6. … mais ainda.

    O caminho de despojamento que a arte encontrou nos nossos dias, com os temas quotidianos quase sempre a dominarem, é, exactamente, o sinal de que a fronteira com o entretenimento se define e bem: a crueza, o despojamento, os temas banais, o vocabulário e o tom coloquial (poesia principalmente), fazem com que a arte se distancie do ESPECTACULAR.

    Pedro

    Comment by plafonso — 17/04/2008 @ 11:26 am

  7. a liberdade?…
    ou é… ou não é!…
    a liberdade é o tudo (o todo). não é uma parcela…
    Nero incendiou roma - nero construiu um poema (que lambeu a cidade em liberdade)
    e
    que o ultrapassou…
    nero era poeta?
    sei lá!
    criou um poema espantoso. isso sim.
    como disse Bakunine:
    “a destruição é, em si mesmo, um acto de criação”.
    a poesia é um todo
    não o engatilhar palavras
    a poesia é o fogo
    a pedra
    a terra
    a merda

    Comment by manuel a s — 17/04/2008 @ 7:15 pm

  8. quando a mente interfere…
    uma fracção do corpo teu, obstrui e danifica o pensamento por ser - ela - muito lenta no voo.
    e
    o centro do movimento, muito rápido.
    um dactilógrafo trabalha com o centro do movimento na velha máquina de escrever. pode-se equivocar, trocar… (n)a tecla.

    levei as mãos aos bolsos.
    estava nu.
    suavemente, retirei as parcelas do teu corpo que guardava religiosamente
    e
    pendurei na parede
    onde há séculos um guarda-sol enorme para pescar “coisas” no limiar do cordão umbilical, tinha construído a sua teia.

    para o acto, o Diabo envergou finos trajes cerimoniais
    e
    com ele veio toda a horda de bichos da maçã.
    o Inferno não teve o mérito que merecia devido aos carros eléctricos que te prometi e tardei a cumprir.

    ter como íntimo amigo um selvagem lúcido e provocador, permite-me uma melhor análise sobre mim próprio.
    ele (o selvagem) revela-se
    nas minhas obsessões
    nas minhas fascinações
    e
    no veículo (primeiro) em processo criativo que é a interferência da carne. a noção do que “eu sou”.
    não para deter a dor, mas para suspender a destruição
    e
    a noção de posse de meus “outros eus”.

    a noção do “eu” é volátil… deita-se muitas noites com as tuas palavras
    e
    em liberdade (ou libertinagem)

    Comment by manuel a s — 17/04/2008 @ 8:13 pm

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