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21/04/2008

maldito blogue

Poeta das mulheres improváveis e do amor à distância, o jovem advogado revelou-me a sua nova paixão por uma leitora desconhecida. A ciência amorosa que o incomodava assentava na seguinte questão: pode alguém amar uma pessoa só pela ideia que se constrói sobre ela. E foi adiantando que já havia fabricado um sentimento que consistia numa emoção abstracta com base na ideia da leitora em causa. Simplificando: será possível amar a consciência de uma mulher, ignorando se ela é gorda ou magra; alta ou baixa; ou se é feia ou bonita? O conhecimento do rótulo físico da mulher não será um pormenor condicionante, uma senha visual que nos impossibilita o acesso ao seu interior? Exactamente, disse o jovem advogado, como eu gostaria de amar essa leitora desprovida do seu próprio corpo. Interessa-me possui-la para além da aparência que ela apresenta perante os outros. A minha ideia do amor baniu para sempre a imagem física, corpórea. Não é o belo o que mais me interessa para me sentir feliz; não é a foto-carnal que a mulher exibe no seu dia-a-dia em relação com os outros. Não estranhes, mas o que me fascina numa mulher é precisamente o que ela pensa e sente sobre ela própria, e fascina-me a capacidade brutal de ela exteriorizar esse saber, como se eu fosse o seu universo. Da mesma forma que eu amo a ideia de um amor incorpóreo, também sou capaz de amar no mistério do amor dessa mulher. E ela ama-te?, perguntei ao jovem advogado. Penso que ela tem medo da ideia desse amor. Ela tem uma consciência muito activa para poder aceitar o amor de alguém. Vive dentro de si mesma. Vive o seu próprio amor, a sua ideia amorosa da vida. Vive em dupla personalidade com alguém, talvez com ela própria. Até já lhe ofereci um blogue.

fep

1 Comentário »

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  1. Ainda em relação à caixa de comentários, e para não fazer figura de urso, mais vale olhar para ela (pelo menos é o que eu faço…) e perceber que o zero que lá aparece frequentemente significa que toda a gente percebe o que queremos dizer e, portanto, preferem “not to comment” que é como quem diz “no comments” ou ” zero comments”, que é mais ou menos a mesma coisa.

    Comment by Miguel Godinho — 21/04/2008 @ 10:32 pm

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