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25/05/2008

LIGHT

Quarto. Luz intensa. Duas mulheres. Os corpos cobertos. Tecido transparente. As formas. Máquina de filmar. Posições. Vozes. Acção. As línguas tocam-se. Os seios. Mordê-los. Uma mão no rosto. Os cabelos. Os olhos ardem na imagem do outro rosto. Indicações. Deitar na cama. Descer a boca pelo corpo. Olhar e reter nesse olhar o prazer do outro. As mãos.
- Corta!
A voz do realizador. Fios a arrastarem no chão. Mudança de posições. Luzes.
Beijar o sexo. A língua no vermelho. Contracções. Gemidos.
História simples. Duas mulheres numa estação de autocarros. O mesmo destino.
- Saí de casa. Procuro um quarto. Uma vida.
Duas histórias simples no mesmo acto de leitura. A mesma casa. Café. O lume. Amar-te contra as palavras. Escrevo. Foder nas palavras que escrevo. Foder na tua boca as minhas palavras. Vir-me nas tuas palavras.
- Quero realidade. - A voz do realizador. O olhar dentro da tua vagina. A luz a magoar o prazer que não sentes. Mexer a língua. As mãos nas nádegas. O teu corpo numa nuvem.
- Hoje estou vazia. Não sinto nada.
Sentadas no mesmo banco no autocarro. As tuas mãos. Antes das palavras o teu corpo. Masturbo-te. Não quero que olhes. Olha através da janela o andamento da tua vida.
A voz do realizador. Olha-te no espelho. Tu vens por trás. sentir a ausência desse amor que não sentes. Deito-me no chão e tu escreves.
Sou sempre assim, vazia. Rasgar o corpo nas folhas escritas abandonadas neste desejo. Faz-me confusão o tempo deste desejo. As pessoas amadas no tempo. Não tenho tempo.
O teu sexo e eu nesta morte de escrever o tempo inexistente como se nenhum desejo te recordasse na vida.
- Que o teu prazer seja a minha morte.
Autocarro. Bairro. Prédios de apartamentos. Rua. A tua mão. Subir as escadas. O teu corpo. Movimento. Quadros nas paredes. Destruir as imagens. Escrever-te nua contra as pinturas. Não posso entrar em ti. Não tenho palavras. Recuperar o teu amor. A luz pela janela.
- Ama-te em mim.
Não sinto nada. Nem a tua escrita quando o teu corpo no meu. As paredes apertam-me contra o vazio. Se amo tudo acaba.
- Corta!

fep

1 Comentário »

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  1. foi o mais belo quadro cuja leitura eu repeti, eu, aqui, num plano intercessionado pelas linhas da comunicação vejo, e ele tecla e eu, nas sua linhas respiro uma mágua, triste e redundante no corpo daquela mulher, cujos dedos esguios tocam no corrimão enquanto sobe. a rua essa que só quem o pinta em segredo nela sabe guardar.

    Comment by * — 28/05/2008 @ 4:37 pm

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