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30/03/2009

palavra ibérica

o filme. 1ª parte.

29/03/2009

O pequeno almoço de Carla Bruni

O Rui Costa corre o risco de se tornar um caso estranho na poesia portuguesa. Quando apareceu em 2005 com um livro intitulado “ A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”, prémio de poesia Daniel Faria, a pergunta que ficou no ar adivinhava-se entre os seus pares: quem é este Rui Costa? Perante tanta curiosidade, eu intuí que o Rui só podia responder-nos: não sabem de onde venho, mas hão-de saber para onde vou. E já agora: para onde vos levarei.
E assim chegamos ao segundo livro de poemas do Rui: “O Pequeno Almoço de Carla Bruni”. Carla Bruni que destronou a Shakira, muito por culpa dos media e da actualidade da informção. Isto só vem provar que o Rui é um cronista atento da sociedade poética em que nos envolvemos. É fácil verificar que a poesia do Rui é surreal e que trabalha a disformidade do ser e das coisas. Se eu designasse um sintoma que a sua poesia sugere, arriscaria informar que, após cada leitura dum poema, estamos perante uma situação “sintológica”. Bem, eu não tenho a certeza de que a palavra exista, mas quererá dizer isto: há na poesia do Rui uma outra forma de sentir para além da normalidade, isto é, o sujeito poético que o autor evoca parece-nos envolvido numa racionalidade absurda e constantemente submetido a um tipo de regras que ainda não foram experimentadas na realidade. Um exemplo:

“(…) Na verdade, as mãos deste homem não seriam
mãos como as de outros animais - dos corvos, por exemplo -
capazes de ouvir, do fundo intuído da sua genética
consciência, mesmo aqueles pequenos actos que ainda não
aconteceram.”

Depois descemos mais umas linhas na poética do autor, e noutro poema podemos ler:

“Na vida,
a caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
o limão continuará a ser inteiro
e o seu sumo continuará a ser sumo,
pela mesma sábia razão por que a história dos homens
é sempre muito maior do que eles.”

Portanto, esta é uma poesia onde tudo acontece estranhamente pela primeira vez na história real dos homens em relação a tudo o que os rodeia. Outro aspecto interessante na escrita do Rui é que as coisas têm maior protagonismo que o próprio ser humano, levando-nos a crer que são essas mesmas coisas o agente provocador do pensamento e da consciência humanas. Quando lerem com atenção este livro hão-de reparar que a emoção não faz caminho nestes poemas, e nem precisa, uma vez que a emoção, ou, se quisermos, o sentimentalismo não é estrutura adequada ao tipo de mensagem/imagem que o autor pretende transmitir. Outro exemplo:

“Escrevo, decerto, por qualquer
razão inútil que não vais nunca entender.
Surgem as frases, vês, desconhecidos
que no bar do acaso encontro e são
as tuas mãos a escrever por mim.”

Chama-se a isto uma pedra de gelo a rodopiar no vaso da cabeça dos outros. Eu sei que o Rui a escrever é de uma frieza que inebria a compreensão do leitor. O que significa que cada frase é um trago de calor que nos fica na memória a arder durante muito tempo. E o poema acaba assim:

“Às vezes, sabes, é mais
difícil descobrir que o amor, como o cigarro,
quando se acende é que começa
a iluminar o fim.”

O romantismo é outro aspecto curioso na poesia do Rui. É um romantismo que não se assume como atitude romântica. Será pudor em revelar tão delicadas rendas que nos vestem o coração? Não creio. Em questões de amor metafórico e sentimentos similares, eis que o autor se transfigura num criativo afectuoso, e arregaça a sua camisinha de serviço enquanto escreve:

“amo-te
por não ser outro:
é, assim, uma impossibilidade
que nos aproxima.”

Como podem perceber, há nestes versos uma possibilidade de fuga que o autor transforma numa aproximação a outro ser na expectativa de ser desejado. Complicado? Ora, só quem nunca amou ou foi amado. E este:

“exagero o que
não sou para que
gostes mais de mim:
aumentar a probabilidade
de te receber.”

É a coberto destas máscaras que o Rui vai falando sobre o amor. É esta a relação mais honesta que existe entre duas pessoas: exagerar o que não somos para tornar mais credível aquele que realmente acreditamos ser, em toda a verdade, perante os outros. Como sabem, o amor também se alimenta destas diversões. E se a verdade por vezes condena, a mentira é capaz de ressuscitar uma relação.

“O Pequeno Almoço de Carla Bruni” é um livro provocador. Não por imaginarmos que o pequeno Sarkozy seja o aperitivo da Carla logo pela manhã. Este livro é provocador porque disforma toda uma série de imagens que conhecemos como realidade. O autor diz o contrário do que se espera. Promove o jogo entre a surpresa e a contrariedade, com base num conjunto de regras que o autor criou para despistar os nossos próprios actos quotidianos, e quem não perceber isto, ou não pertence a este mundo ou não entende nada de poesia. E para finalizar, o rui deixa-nos um aviso:

“digo o contrário
do que quero
para que no espelho
a imagem não surja
invertida.”

Mas se a imagem surgir invertida, continua ainda a ser poesia.

Texto de apresentação por Fernando Esteves Pinto

22/03/2009

Palavra Ibérica 2009

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A 1ª fase do Encontro de Escritores Hispano-luso Palavra Ibérica 2009 arrancará no dia 27 de Março em Punta Umbría, às 18h (hora espanhola) com as apresentações dos 3 últimos livros publicados na colecção de poesia Palavra Ibérica. O evento segue no dia 28 para Vila Real de Sto. António, para as respectivas apresentações no Centro Cultural António Aleixo, às 17h, prolongando-se pela noite.
Autores presentes:
Golgona Anghel
Rui costa
Santiago Aguaded landero (Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009)
Tiago Nené (tradutor)
Adão Contreiras (reportagem vídeo)

Coordenadores:
Fernando Esteves Pinto
Uberto Stabile

Apoios:

16/03/2009

Apresentação “Privado”

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Dia 20 de Março às 21:30 no Pátio de Letras, apresentação do livro “Privado” de Fernando Esteves Pinto. Uma edição da Canto Escuro.
Apresentação de Miguel Godinho.

11/03/2009

noite animal

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Apanhado na rede: filme da apresentação “Os Animais da Cabeça, de Rui Dias Simão. AQUI











































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