Poesia
Apresentação do livro “Os Nossos Dias” de Miguel Godinho. Programa Aqui
Da Literatura - o processo criativo e a edição. dia 26 de Setembro. Programa AQUI
Encontro de poetas da editora 4águas. Dia 13 de Setembro, 21.30 no Pátio-Bar.
Pátio de Letras, Faro.
Autores:
Miguel Godinho
Pedro Afonso
Rui Dias Simão
Editores:
Fernando Esteves Pinto
Vitor Cardeira
Dia 11 Setembro às 21:30

Título: As limitações do amor são infinitas
Autor: Rui Costa
Editora: A sombra do Amor
Título: Os Nossos Dias
Autor: Miguel Godinho
Editora: 4águas
Apresentação: Inês Ramos
Um horizonte a meio
Os nossos dias, seguido de Os Lugares Antigos
de Miguel Godinho, 4águas Editora, Agosto 2009
Em “Os nossos dias”, o primeiro livro de Miguel Godinho, deparamo-nos com uma linguagem cuidada, mas não rebuscada, crua, mas nunca simplista, com aquilo que parecendo ser um sinal de contenção, será mais uma opção – um apuro estético – que demonstra um tipo de firmeza na “voz” fora do comum num jovem e estreante poeta. A poesia de Miguel Godinho, poder-se-á, para já com este livro, enquadrar na noção de “poesia da experiência”, mas sem nunca se esgotar num tom puramente narrativo, nem numa experiência exclusivamente literal. É uma poesia, que sem ser deslumbrante, é visceral, pois nasce de uma necessidade, de uma vertigem da Vida ao se debruçar numa varanda à beira do abismo da memória: “Se eu tivesse certezas sobre quem sou/ não haveria necessidade na escrita deste texto” (p. 9). Nos “nossos dias” a poesia nasce a partir de uma geografia porvir, desde “os lugares antigos”. Nasce, nessa exigência do impossível, uma desistência que se constrói no irrecuperável, erigindo um edifício quotidiano de desconforto: um dia sentiu-se o que era possível viver e isso fugiu para sempre.
Nesta escrita, que é uma (o)posição do ser sobre si, não se encontra conforto sem decepção: não existe sofá sem o onanismo inútil de uma espera daquilo que se perdeu e que nem a perspectiva de um novo dia poderá recuperar. Aqui o novo distrai, repete-se, apenas afoga o fastio em mais fastio.
Às vezes concluímos
que já chega de brincar com ela
preparamo-nos para vestir as calças e guardá-la
mas há sempre algo que nos distrai
damos por nós e temo-la nas mãos
outra vez
Da dicotomia “Os nossos dias” e “Os lugares antigos” cresce a potência de uma intensidade que se poderia reviver, não fosse a bruta crueldade do tempo presente sem sentido ser uma presença tão intensa que cinde o vivido, abrindo-o para uma outra parte: uma utopia passada: a infância, a adolescência, a Vida. Há como que um peso no plano da vida, um horizonte a meio de tudo que o dobra, que secciona e mantém distintas duas partes.
Nos desejos adolescentes
a inocência talhada
será sempre assim
o Junho de noventa e oito
de novo aqui
e o cheiro a ria
eu deitado
na sombra nocturna
da casa fechada
na praia da ilha
o vento sussurra
será sempre assim
Temos, portanto, duas partes que competem na presença de uma terceira, ou melhor: uma primeira, que assiste. Observamos, assim, um sujeito dobrado e desdobrado, como que reflexo reflectindo-se e ainda fora de si se visse a si e ao seu reflexo. Este livro, este trabalho, é de reflexão, naquilo que de mais concreto pode ser definido enquanto tal. O que é a reflexão senão a criação de uma duplicidade da qual o sujeito se faz “de fora”? De uma múltipla perspectiva, de um múltiplo tempo? Do que uma nomeação daquilo que se fende e se constitui por si, em si, para si?
Este trabalho constrói-se numa divisão imprescindível em dois tempos, dois sujeitos, dois momentos: “os nossos dias” e “os lugares antigos”; a “vidinha” e a “Vida”; o “eu” e o “outro”. Daqui, desta fronteira, o sujeito procura-se, procura ver-se agora, mas sempre em relação ao que sabe que foi, àquilo que sentiu e de que se vê perdido: “entre o real e o que nos oferecem/ o intervalo que nos separa de nós mesmos”(p. 11); mas sabe também, que quanto mais se vincula aos “nossos dias” – a vidinha, as horas sem sentido – maior é a distância, maior é a certeza da derrota:
Pouco a pouco vamos apodrecendo
na ilusão de sermos mais nós
sem nunca conseguirmos sê-lo em absoluto
O ritual de caminharmos sem destino faz de nós uma indefinição
reflectida na confusão dos dias,
na verdade da derrota.
Conseguiremos algum dia
ser imunes ao fastio?
Nunca a fuligem das horas
foi tão óbvia quanto agora
A verdade é que ao olhar-me ao espelho
cada vez mais me demoro no vazio
O “outro” sonhado, desejado, perdido-recuperado pela experiência da escrita, pelo vasculhar do tempo dito, pelo desconforto do sentir sem tocar, desenha-se por uma tangente traçada àquilo que se sentiu outrora como a verdade e que agora se afasta, permanecendo a experiência presente como uma névoa quase impalpável, insuficiente. O “outro” é mais verdade do que o “eu”, porque foi mais vivo, porque permanece vivo entre a dormência do presente como o sonho tido e a verdade da memória como o sonho perdido. Esse “outro” apenas coincide com o “eu” quando é “diminuído de vergonha/ numa farda que te servia/ numa figura que agora é a tua”.
Sendo um trabalho reflexivo, não se fica por aí, é também um trabalho crítico. Haverá poesia capaz dar conta de uma realidade sem lhe ser crítica, quando nos oferece toda uma decepção do sujeito em relação ao mundo que experiencia e nos dá a experienciar? “Às vezes esqueço-me de onde estou/ um pinhal em chamas e eu no centro/ de isqueiro na mão”.
Aqui, sempre que há contemplação é ou a do vazio, ou a daquilo que se perdeu. Quando há descrição é sempre relativa ao que causa desconforto e mesmo o pouco conforto que refere é sempre também ele crítico, pois assenta na desistência, numa não saída de um não lugar.
É crítico em relação ao acto de escrever - o para quê disso, o que fazer disso, como fazer isso: Se eu tivesse certezas sobre quem sou/ não haveria necessidade na escrita deste texto/ não precisaria de me vasculhar por entre as palavras// Se as convicções que me alinham fossem óbvias ao olhar/ não riscaria este texto vezes sem conta - já nem sei bem/ o porquê desta conversa.
Em relação à experiência do sujeito, ao seu dia-a-dia é crítico e decepcionado, mais uma vez: Uma fatiota de segunda a sexta/ e a mentira evidente na ordem dos dias/ lembro-me disso quando me deito/ de barriga para cima na secretária/ e quando cumpro tarefas/ em projectos essenciais// a minuta já está completa, senhor engenheiro/ falta apenas o senhor engenheiro assinar// uma faca nas mãos do tempo/ a assassinar a métrica dos dias/ tenho ganho muitas rugas nos testículos/ por mil euros ao fim do mês/ acho que os neurónios já se esqueceram de respirar/ pelo menos consigo pagar os créditos/ e ser feliz ao fim de semana.
E é crítico, ainda, em relação à ideologia vigente, ao estilo de vida burocrático e alienado que o oprime e diminui. É, por vezes, tão acidamente analítico que a própria escrita ao ser interrompida ainda assim continua como que não podendo parar e regista a sua interrupção, que é sempre uma interrupção de ser. Essa interrupção é, sempre, uma inutilidade, vem sempre de uma presença que apenas tem como objectivo fazer-se presente:
Estou sim, muito bom dia senhor engenheiro,/ faça o favor de dizer// (nada no espírito que valha a pena expressar/ a caneta resvala-me da mão enquanto me perco/ no infinito. O vazio do papel, um espelho,/ uma ausência enquanto atendo senhores engenheiros)// claro que sim, senhor engenheiro, sempre que o desejar// (uma carreira resplandece/ numa sociedade aberrante/ só para saldar as múltiplas despesas/ de uma vida aparentemente burguesa)// adeus, muito boa tarde, senhor engenheiro/ faça o favor de ligar sempre que quiser.
Em “Os nossos dias” entende-se que “apenas depois de tudo teres perdido/ és livre de tudo fazer”. É, ao mesmo tempo que decepcionada, uma escrita libertária, uma escrita de quem percebe o caminho que há a percorrer para se libertar dos grilhões do sem sentido que vigora. É, desta forma, uma escrita de protesto que denuncia “isto” e pressente o “para além disto”. Mesmo partindo da decepção e do assumir de algum conformismo, aponta a saída: “deixemos que nos cunhem o semblante/ eles que se fodam, mon amour/ eles que se fodam”. Mas, para além do conformismo é uma escrita resistente. Resiste precisamente ao sofá, no sentido em que o aponta como leito de morte de ser, como que quem tendo que descansar soubesse que descansa para continuar um “dia atrás do outro a caminhar errante/ pelo trilho da cegueira”, descontente, desiludido, mas consciente, acompanhado da memória, ainda na margem que oprime o rio, mas sempre no limite de saltar para a corrente selvagem: é uma escrita que tem permanentemente referente a opressão e por isso mesmo deixa pressentir sempre o limiar indizível da loucura, do limite, do momento em que só tudo pode ser abandonado.
Na falta de uma utopia
um grande nada enquanto engordo
refastelado na doença do corpo
a janela tem boa vista e o sofá
dá para deita. Posso sempre
puxar a mesinha de apoio
e descalçar-me de mim
Esta é uma escrita de abandono, mas que não se abandona, reencontrando nos “lugares antigos” aquilo que a permite olhar para “os nossos dias”, olhar-se a si e olhar para nós. Aqui está a memória, a memória usada: “O que nos fica de ontem/ são ruínas nebulosas/ imagens que emendamos/ conforme nos convém”. E está, também, na leitura, na nossa e na da própria escrita, através da qual passamos por outras escritas: de músicas, de palavras de outros textos, de imagens que ficam no fundo dos olhos.
É desta forma que, depois da decepção, do abandono, encontramos uma recuperação do ser, uma preocupação ontológica que respira por entre a crueza dos “nossos dias”: “recordas-te de ti/ quando tudo era azul/ quando ainda não te havias/ transformado numa ilusão?”. Talvez por isso, no fim dos “nossos dias” o sujeito se lembre do “porquê desta conversa”, e quando isso acontece, passamos, como no fim do livro entendemos, “de repente”, aos “lugares antigos”.
De repente
lembrei-me das cores de ontem
dos cheiros daquele presente
desse passado que é de novo agora
como se nunca tivesse deixado de ser
Como que um presente sempre
presente nesta memória de agora
agora e por agora/ porque de repente
a muleta do tempo tropeça
na vontade do teu regresso
De repente
Apresentação de Pedro Afonso
Sulscrito / 4águas Editora
Programação Feira do Livro de Faro - 2009
Autores:
Dia 5 de Agosto - 21:30 - Stand Sulscrito
Rui Dias Simão – (Tavira) Apresentação / leitura / sessão de autógrafos – Livro: Os Animais da Cabeça (editora 4águas)
Dia 7 de Agosto - 21:30 - Stand Sulscrito
Manuel Almeida E. Sousa - (Cascais) Grupo mandrágora – poesia experimental /performance
Dia 10 de Agosto 21:30 - Stand C.M.F
Fernando Esteves Pinto – (Olhão) Apresentação / sessão de autógrafos – Livro: Privado (editora Canto Escuro)
Projecto Literário Palavra Ibérica:
Dia 13 de Agosto - 21:30 - Stand Sulscrito
Uberto Stabile (Punta Umbría – Huelva) Apresentação /divulgação
Dia 14 de Agosto – 21:30 - Stand Sulscrito
Miguel Godinho (VRSA) – Apresentação / leitura / sessão de autógrafos – Livro: Os Nossos Dias (Editora 4águas)
Dia 15 de Agosto -22:30 - Stand C.M.F
Fernando Dinis – (Cascais) Apresentação / sessão de autógrafos – Livro: A Casa do Esquecimento (editora Teorema)
Sessão de poesia:
Dia 16 de Agosto: vários autores
Autor: Santiago Aguaded Landero
Leitura: Cidália de Brito
Apresentação: Tiago Nené
Dia 26 de Junho às 21h
Local: Bar Cyti_0 – Largo Pé da Cruz – Faro
Dia 27 de Junho às 21h
Local: Recreativa Olhanense - Olhão
Organização: AAPA / Sulscrito
POEMAS MAL EMPREGADOS
Autor: Fernando Esteves Pinto
Leituras: Cidália de Brito
Apresentação: José Bivar
Dia 5 de Junho às 21h
Local: Bar Cyti_0 – Largo Pé da Cruz – Faro
Organização: AAPA / Sulscrito
A série Semanas Culturais Chalé Bela Mandil irá estrear já este ano entre 1 de Julho e todo o mês de Agosto. Podem participar todos os artistas plásticos, músicos, escritores e actores, etc. Temos uma programação que se integra no conceito Férias Culturais. Alte, Conceição de Tavira, Olhão e Faro são alguns dos locais onde se realizará tertúlias e leitura de poesia. A organização garante alojamento gratuito e cozinha comunitária. As noites no Chalé serão o palco onde os autores participantes darão a conhecer os seus projectos culturais. Haverá churrascos e muita animação.
O CCBM (Centro Cultural Bela Mandil) está localizado entre Olhão e Faro. Neste espaço já passaram alguns nomes relevantes da cultura portuguesa.
Mais informações: Fernando Esteves Pinto: sulscrito@yahoo.com
José Bivar: zbbelamandil@yahoo.com

Apresentação da colecção Palavra Ibérica (autores de Portugal e de Espanha)
Lisboa: dia 15 Maio na Livraria Pó dos Livros, às 18:30
Porto: dia 16 Maio na Fnac NorteShopping às 18:00
Crematório Sentimental, Golgona Anghel
Os Animais da Cabeça, Rui Dias Simão
Uma Ânfora no Horizonte, Maria do Sameiro Barroso
O Pequeno-almoço de Carla Bruni, Rui Costa
Agência do Medo, Santiago Aguaded Landero
Privado, Fernando Esteves Pinto
Dia 8 de Maio, 21h, no Pólo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte.
Apresentação: Vitor Cardeira
Leituras: Cyombra
Título: Os Animais da Cabeça
Autor: Rui Dias Simão
Editora: 4águas
Sinopse:
“…uma poesia rara, cheia de força, que reverte das margens e da inquietação, da procura do entendimento, da ironia, do humor, da desmontagem das máquinas quotidianas que nos dão por adquiridas.”
In José Carlos Barros - Prefácio
Apanhado na rede: José Carlos Barros vence Pémio de Poesia Sebastião da Gama. Menções honrosas para Firmino Mendes e Rui Costa. informação Aqui
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