espaço à poesia
O livro de poesia de Pedro Afonso, ainda aqui este lugar, já está disponível na livraria Pátio de Letras em Faro, assim como o nº 2 da revista de literatura Sulscrito.

Ambas as publicações, juntamente com o recente Quarto com Ilhas de Manuel Moya, serão apresentadas dia 13 de Setembro, pelas 21h30, nesse mesmo espaço em Faro.
Apontem e apareçam.
Depois da primeira edição em 2005 pela editora Leiturascom.Net, o livro Sexo Entre Mentiras acaba de ser publicado em Espanha na Baile Del Sol, editora das Canárias. A tradução é de Manuel Moya, autor que, desde 1996, tem vindo a traduzir parte do trabalho literário de Fernando Esteves Pinto.
A apresentação do livro será no dia 29 de Agosto na Biblioteca Municipal de Punta Umbría, pelas 21h (hora espanhola).
O livro foi lido por quatro leitores do clube de leitura da biblioteca e será discutido publicamente durante a sessão.
Escritores do Algarve, Andaluzia e Canárias na Feira do Livro de Faro, uma organização Sulscrito e Baile Del Sol.
O Adão esteve lá e filmou.
Próximos eventos do Sulscrito na Feira do Livro de Faro.
Estão todos convidados para:

Dia 10 de Agosto, domingo, pelas 21 horas, apresentação do nº 2 da revista de literatura Sulscrito.

Dia 11 de Agosto, 2ª feira, pelas 21h30, apresentação do livro de poesia Mapa, de manuel a. domingos, com a presença do autor.

Paulo Kellerman e a esposa. O tipo de ar grave, à direita, é o Fernando Esteves Pinto.
Já está aí o nº 2 da Revista Sulscrito
Aqui têm a capa e abaixo o índice de conteúdos

Dossier Palavra Ibérica:
Diana Almeida, Elisa Yorch, manuel a. domingos, Antonio
Orihuela, Miguel Godinho, Francis Vaz, Cármen Camacho, Eládio
Orta, Luís Pons Moura, Rafael Delgado, Pepe Varos e Luís Filipe
Cristóvão.
Destaque:
Vencedores do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2008
Amadeu Baptista e Rafael Camarasa
Pré– Publicação:
Espelho Negro de Miriam Reyes com tradução de Jorge Melícias
Outras colaborações:
Miguel Real
Manuel Garrido Palacios
Eduardo Halfon
Ondjaki
Rui Dias Simão
Arturo Accio
José Rui Teixeira
Paulo Bandeira Faria
Agustín Calvo Galán
Rodrigo Miragaia
Fernando Aguiar
Berónica Palacios Rojas
José Emílio-Nelson
Maria do Rosário Pedreira
Rita Grácio
André Sebastião
Ivo Machado
José Luís Tavares
José Manuel Vasconcelos
Pedro Gil-Pedro
Rui Costa
Mais uma vez vamos marcar presença na Feira do Livro de Faro. Este ano é de 31 de Julho a 12 de Agosto.
Vamos ter connosco autores e os seus livros, livros de editoras alternativas e independentes, livros de Espanha, do México e de Portugal e vamos estar sempre por lá para conversar e divulgar os nossos projectos.
Como no ano passado será apresentada a revista Sulscrito, desta vez o nº 2, e encontrarão os livros da colecção bilingue de poesia “Palavra Ibérica”. Vai ainda acontecer um encontro de autores, o “Aproximando Margens/Acercando Orillas”, com autores do Algarve, da Andaluzia e das Canárias.
Têm muitos motivos para passar por lá. Com certeza encontrarão publicações interessantes, que de outra forma nunca chegariam a Faro, e autores desconhecidos por muitos mas de grande qualidade.
Fica a agenda de eventos:
Data:2 de Agosto
Autor: Paulo Kellerman
Livro: Silêncios entre Nós
Editora: Deriva
Data: 3 de Agosto
Autor: Pedro Afonso
Livro: ainda aqui este lugar
Editora: 4águas
Data: 4 de Agosto
Autor: Fernando Cabrita
Livro: O amor é um claro mês
Editora: Gente Singular
Data: 6 de Agosto
Ler Alto (leituras públicas)
Data: 7 de Agosto
Aproximando Margens/Acercando Orillas
Escritores Algarve – Andaluzia – Canárias
(António Manuel Venda, Fernando Esteves Pinto, Gabriel Cruz, Pedro Afonso,
Quintin Cabrera e Uberto Stabile)
Data: 10 de Agosto
Lançamento do nº 2 da revista de literatura Sulscrito
Data: 11 de Agosto
Autor: Manuel A. Domingos
Livro: Mapa
Editora: Livrododia
Até lá.
El poeta portugués Amadeu Baptista se hace con el XVI Premio Espiral Maior
El poeta portugués Amadeu Baptista resultó ganador en la XVI edición del Premio de Poesía Espiral Mayor, por el libro Açougue, presentado bajo el lema ‘Francis Bacon’. Así lo decidió hoy por unanimidad un jurado conformado por los poetas Xosé María Álvarez Cáccamo, Xavier Rodríguez Baixeras y Miguel Anxo Fernán Vello.
Al certamen de poesía, el mejor dotado de la Península , con 15.000 euros. se presentaron este año un total de 206 obras procedentes de Galicia, Portugal y Brasil. Según el jurado, fue la edición “con más calidad de toda la historia del certamen”. El ganador verá además su obra publicada en la Colección de Poesía de Ediciones Espiral Maior, con una tirada de 2.000 ejemplares.
El jurado valoró la original “estructura del conjunto poético, de base autobiográfica”, así como su “capacidad de evocación del pasado”, ya que se trata de una crónica personal “que al mismo tiempo ilumina una especie de crónica colectiva” del pueblo portugués. Según el jurado, se trata de una propuesta “de gran interés poético y literario” en la construcción del “yo”, con una expresión lingüística “limpia, natural y fluida”.
Amadeu Baptista (Porto, 1953), con más de veinte libros de poemas publicados, ha recibido, entre otros, el Premio Teixeira de Pascoaes, el Premio Nacional de Poesía Sebastião de Gama y el Premio Internacional de Poesía Palavra Ibérica.
a novíssima livraria de Faro - Pátio de Letras - que tem também um espaço para eventos e exposições - Espaço de Memória - já tem um blog. Acompanhem-no para se manterem a par das novidades e eventos: aqui.
Para já ficámos a saber que às 6ªs e sábados irá haver Happy Hour de livros.
Apanhado na rede: projecto literário em Vila Real de Sto. António. informação aqui.
Mais um projecto cultural que abre as suas portas: Intensidez, agora com um espaço dedicado aos livros. informação aqui.

nesta morada deserto
um vento que se deteve
um encolher da terra
em sua pressa contida
no que há de líquido possível
sobe num curto escorrer de alívio
o rápido brilho secreto
de uma evaporação absoluta
aqui
resta a sombra
das coisas em queda
Já saiu o primeiro livro da Editora 4águas: ainda aqui este lugar, o qual é também o primeiro livro de Pedro Afonso.
Ainda Aqui Este Lugar, de Pedro Afonso, é uma arquitectura das sensações. A casa – labirinto emocional; o jardim – espaço afectivo onde a natureza constrói o próprio ser que o descreve (pensa), e o muro que tudo rodeia sem limitar constituem o cenário humano desta poesia, onde cada poema desenha uma nova estrutura ao edifício mental que significa toda a obra.
Apanhado na rede: Silvia Chueire em Bela Mandil. Na outra Margem.
fep

Independente. Desalinhada. Incisiva. Fora dos esquemas familiares de favorecimento. Eis a nova Editora 4águas, projecto editorial dedicado à poesia. A primeira obra da 4águas estará disponível até ao final do mês de Junho: uma estreia absoluta do autor Pedro Afonso, com a edição do seu livro “Ainda Aqui Este Lugar”. Coincidência feliz, visto tratar-se de dois nascimentos que tiveram origem no mesmo ventre da poesia necessária. Com direcção editorial de Vítor Cardeira e Fernando Esteves Pinto, a Editora 4águas não pretende ser apenas uma editora do Algarve; vamos estar atentos a novas revelações, poetas com bagagem, forasteiros, pescadores de pérolas e esquizofrénicos ajuizados. A principal linha editorial é o horizonte – lugar de encontro onde os poetas se tocam com palavras nos olhos. Alheia às aflições comerciais, a 4águas faz-se distribuir pelo movimento dos leitores que chegarem até nós, refreando dessa forma a economia da ambição lucrativa, expressão que não faz bom título em nenhuma obra de poesia.
editora4aguas@gmail.com

Pedro Afonso nasceu em Faro em 1979. Está representado nas antologias: Antologia de Novos Poetas Algarvios —Do Solo ao Sul, ARCA, 2006; Antologia de Poesia Portuguesa Actual — Poema Poema, Aullido, Huelva, 2006 (traduzido para castelhano); Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Exodus, 2008. Faz parte da direcção editorial da revista de literatura Sulscrito. É autor do blog a pedra.
GOSTARIA DE MORRER ENCOSTADO A UMA ÁRVORE.
OS DOIS ENCOSTADOS À MESMA ÁRVORE.
COM O SOL A CORRER À VOLTA.
ENTRE A SOMBRA E A LUZ.
ENTRE O DIA E A NOITE.
ENTRE A VIDA E A MORTE.
fep
Há dias em que a humanidade complica com o meu sistema existencial. Não há simpatia que reponha os meus níveis normais de tolerância. Nada parece funcionar de acordo com as leis da vida. Sinto as regras do comportamento humano adulteradas. Nem um dia de sol ilumina qualquer esperança de amar alguém. Sinto-me num excesso de não existir que me impossibilita de sentir que os outros também existem.
fep
Há pessoas presas dentro de pessoas
dentro de garrafas alisando a madeira fria
e o que do fumo se estende pelas mesas
é a curva lividez dalgum temor sinistro
Como nada acontece entre o som e o copo
deposita-me no sentir o sono profundo
um vento baço que arde pelas costas
inglória e perfurante a espada de deus
joão bentes
Quarto. Luz intensa. Duas mulheres. Os corpos cobertos. Tecido transparente. As formas. Máquina de filmar. Posições. Vozes. Acção. As línguas tocam-se. Os seios. Mordê-los. Uma mão no rosto. Os cabelos. Os olhos ardem na imagem do outro rosto. Indicações. Deitar na cama. Descer a boca pelo corpo. Olhar e reter nesse olhar o prazer do outro. As mãos.
- Corta!
A voz do realizador. Fios a arrastarem no chão. Mudança de posições. Luzes.
Beijar o sexo. A língua no vermelho. Contracções. Gemidos.
História simples. Duas mulheres numa estação de autocarros. O mesmo destino.
- Saí de casa. Procuro um quarto. Uma vida.
Duas histórias simples no mesmo acto de leitura. A mesma casa. Café. O lume. Amar-te contra as palavras. Escrevo. Foder nas palavras que escrevo. Foder na tua boca as minhas palavras. Vir-me nas tuas palavras.
- Quero realidade. - A voz do realizador. O olhar dentro da tua vagina. A luz a magoar o prazer que não sentes. Mexer a língua. As mãos nas nádegas. O teu corpo numa nuvem.
- Hoje estou vazia. Não sinto nada.
Sentadas no mesmo banco no autocarro. As tuas mãos. Antes das palavras o teu corpo. Masturbo-te. Não quero que olhes. Olha através da janela o andamento da tua vida.
A voz do realizador. Olha-te no espelho. Tu vens por trás. sentir a ausência desse amor que não sentes. Deito-me no chão e tu escreves.
Sou sempre assim, vazia. Rasgar o corpo nas folhas escritas abandonadas neste desejo. Faz-me confusão o tempo deste desejo. As pessoas amadas no tempo. Não tenho tempo.
O teu sexo e eu nesta morte de escrever o tempo inexistente como se nenhum desejo te recordasse na vida.
- Que o teu prazer seja a minha morte.
Autocarro. Bairro. Prédios de apartamentos. Rua. A tua mão. Subir as escadas. O teu corpo. Movimento. Quadros nas paredes. Destruir as imagens. Escrever-te nua contra as pinturas. Não posso entrar em ti. Não tenho palavras. Recuperar o teu amor. A luz pela janela.
- Ama-te em mim.
Não sinto nada. Nem a tua escrita quando o teu corpo no meu. As paredes apertam-me contra o vazio. Se amo tudo acaba.
- Corta!
fep
Parece a fachada dum prédio velho
Labirinto
Confusão de janelas perturbadas
a olhar através do pensamento das cores
O tabuleiro negro das sacadas inclinado sobre as ruas
dialogando com as sombras no silêncio dos espaços brancos
Na língua dos vasos flores ocultas
Sinto-as
A luz dos lençóis a secar
Respiração de vento
Paredes pintadas pelo tempo
Outra memória
Portas abertas e os meus olhos entram
Uma rapariga dança feliz
Outra faz exercícios domésticos
Uma cafeteira assobia no bico do fogão
O vapor é uma aguada cinzenta muito leve
Num divã dorme o sono duma criança
Um pano sustido no ar
Infinidade de polilha
Um quadro de Picasso (imitação) pendurado na parede
Os saltimbancos
A humidade desce até ao rodapé
Nas cidades já só nascem flores nos olhos dos poetas
explica um pássaro na gaiola
Ao fundo num corredor um homem e uma mulher
beijam-se em segredo
Boca na boca sem palavras
Um livro caído no chão aberto no poema da água
Uma velha arrasta a sua silhueta e deita-se-lhe em cima
nódoa de tinta
Os gatos escondem-se na ferrugem das varandas
Vejo-lhes as fagulhas dos olhos
As pinceladas de cinza das caudas
Redes mosquiteiras nas janelas
Ferros cravados verde-musgo das chuvas
Líquen
Uma escada que sobe e eu subo com ela
fep
uma nódoa na palma
húmida gelada
uma mancha que ecoa
dissonante e veloz
rasgando a superfície num raiar
azul
se assim começa
gela-se tingida de suor
Vento que acendes do áspero cimento
não mais que ténues limites pelas ruas
corpos que cruzam as amplas esplanadas
Persistes recalque da luz que desbrava
remexendo algures a apócrifa essência
entre o verde incólume do exacto plástico
Submergir até que a cabeça insufle
aguardar o pó principiar um nome
adivinhar longe ninguém que passa
joão bentes
Aprumados gumes de néon plastificado
ressoam púrpura o confuso sílex corroído
e o sofá doméstico a sofisma atordoante
Há aparas que são névoa perfurante e tensa
uma pressão súbita que se entranha nas veias
a bandeja oxidada muito firme nas mãos
Quase começo de novo os pés de me deitar outro
nas águas do sul onde peixes dançam nucleares
aprofunda-se no sangue o delírio sarraceno
joão bentes
se penso com a mão
é na lama que os dedos
agem um patinar
nada artístico
uma fuga em pânico escorregadio
sou um deslize coxo
do assombro
Pedro Afonso
é na ausência do quê que se esfria
o dia a luz na mão
sugada pelas aparências
de uma pele escalpada voando
em sangue
pétala de horizonte caído tocando o medo
o que vai chegando é negro
de dedos nos olhos
Pedro Afonso
“…mãe eu quero ficar sozinho
mãe não quero pensar mais
mãe eu quero morrer
eu quero desnascer, ir-me embora
sem sequer ter que me ir embora…”
joão bentes
não sei se desperto
mais familiar
com o estrondo do sol a nascer
ou a noite sugada pela luz
a mão vibra na ponta
da dormência do braço quebrado
Pedro Afonso
(anterior: I)
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