logo

24/08/2009

uma leitura de Os Nossos Dias

Arquivado em: ecos

Um horizonte a meio
Os nossos dias, seguido de Os Lugares Antigos
de Miguel Godinho, 4águas Editora, Agosto 2009

Em “Os nossos dias”, o primeiro livro de Miguel Godinho, deparamo-nos com uma linguagem cuidada, mas não rebuscada, crua, mas nunca simplista, com aquilo que parecendo ser um sinal de contenção, será mais uma opção – um apuro estético – que demonstra um tipo de firmeza na “voz” fora do comum num jovem e estreante poeta. A poesia de Miguel Godinho, poder-se-á, para já com este livro, enquadrar na noção de “poesia da experiência”, mas sem nunca se esgotar num tom puramente narrativo, nem numa experiência exclusivamente literal. É uma poesia, que sem ser deslumbrante, é visceral, pois nasce de uma necessidade, de uma vertigem da Vida ao se debruçar numa varanda à beira do abismo da memória: “Se eu tivesse certezas sobre quem sou/ não haveria necessidade na escrita deste texto” (p. 9). Nos “nossos dias” a poesia nasce a partir de uma geografia porvir, desde “os lugares antigos”. Nasce, nessa exigência do impossível, uma desistência que se constrói no irrecuperável, erigindo um edifício quotidiano de desconforto: um dia sentiu-se o que era possível viver e isso fugiu para sempre.

Nesta escrita, que é uma (o)posição do ser sobre si, não se encontra conforto sem decepção: não existe sofá sem o onanismo inútil de uma espera daquilo que se perdeu e que nem a perspectiva de um novo dia poderá recuperar. Aqui o novo distrai, repete-se, apenas afoga o fastio em mais fastio.

Às vezes concluímos

que já chega de brincar com ela

preparamo-nos para vestir as calças e guardá-la

mas há sempre algo que nos distrai

damos por nós e temo-la nas mãos

outra vez

Da dicotomia “Os nossos dias” e “Os lugares antigos” cresce a potência de uma intensidade que se poderia reviver, não fosse a bruta crueldade do tempo presente sem sentido ser uma presença tão intensa que cinde o vivido, abrindo-o para uma outra parte: uma utopia passada: a infância, a adolescência, a Vida. Há como que um peso no plano da vida, um horizonte a meio de tudo que o dobra, que secciona e mantém distintas duas partes.

Nos desejos adolescentes

a inocência talhada

será sempre assim

o Junho de noventa e oito

de novo aqui

e o cheiro a ria

eu deitado

na sombra nocturna

da casa fechada

na praia da ilha

o vento sussurra

será sempre assim

Temos, portanto, duas partes que competem na presença de uma terceira, ou melhor: uma primeira, que assiste. Observamos, assim, um sujeito dobrado e desdobrado, como que reflexo reflectindo-se e ainda fora de si se visse a si e ao seu reflexo. Este livro, este trabalho, é de reflexão, naquilo que de mais concreto pode ser definido enquanto tal. O que é a reflexão senão a criação de uma duplicidade da qual o sujeito se faz “de fora”? De uma múltipla perspectiva, de um múltiplo tempo? Do que uma nomeação daquilo que se fende e se constitui por si, em si, para si?
Este trabalho constrói-se numa divisão imprescindível em dois tempos, dois sujeitos, dois momentos: “os nossos dias” e “os lugares antigos”; a “vidinha” e a “Vida”; o “eu” e o “outro”. Daqui, desta fronteira, o sujeito procura-se, procura ver-se agora, mas sempre em relação ao que sabe que foi, àquilo que sentiu e de que se vê perdido: “entre o real e o que nos oferecem/ o intervalo que nos separa de nós mesmos”(p. 11); mas sabe também, que quanto mais se vincula aos “nossos dias” – a vidinha, as horas sem sentido – maior é a distância, maior é a certeza da derrota:

Pouco a pouco vamos apodrecendo

na ilusão de sermos mais nós

sem nunca conseguirmos sê-lo em absoluto

O ritual de caminharmos sem destino faz de nós uma indefinição

reflectida na confusão dos dias,

na verdade da derrota.

Conseguiremos algum dia

ser imunes ao fastio?

Nunca a fuligem das horas

foi tão óbvia quanto agora

A verdade é que ao olhar-me ao espelho

cada vez mais me demoro no vazio

O “outro” sonhado, desejado, perdido-recuperado pela experiência da escrita, pelo vasculhar do tempo dito, pelo desconforto do sentir sem tocar, desenha-se por uma tangente traçada àquilo que se sentiu outrora como a verdade e que agora se afasta, permanecendo a experiência presente como uma névoa quase impalpável, insuficiente. O “outro” é mais verdade do que o “eu”, porque foi mais vivo, porque permanece vivo entre a dormência do presente como o sonho tido e a verdade da memória como o sonho perdido. Esse “outro” apenas coincide com o “eu” quando é “diminuído de vergonha/ numa farda que te servia/ numa figura que agora é a tua”.

Sendo um trabalho reflexivo, não se fica por aí, é também um trabalho crítico. Haverá poesia capaz dar conta de uma realidade sem lhe ser crítica, quando nos oferece toda uma decepção do sujeito em relação ao mundo que experiencia e nos dá a experienciar? “Às vezes esqueço-me de onde estou/ um pinhal em chamas e eu no centro/ de isqueiro na mão”.

Aqui, sempre que há contemplação é ou a do vazio, ou a daquilo que se perdeu. Quando há descrição é sempre relativa ao que causa desconforto e mesmo o pouco conforto que refere é sempre também ele crítico, pois assenta na desistência, numa não saída de um não lugar.
É crítico em relação ao acto de escrever - o para quê disso, o que fazer disso, como fazer isso: Se eu tivesse certezas sobre quem sou/ não haveria necessidade na escrita deste texto/ não precisaria de me vasculhar por entre as palavras// Se as convicções que me alinham fossem óbvias ao olhar/ não riscaria este texto vezes sem conta - já nem sei bem/ o porquê desta conversa.

Em relação à experiência do sujeito, ao seu dia-a-dia é crítico e decepcionado, mais uma vez: Uma fatiota de segunda a sexta/ e a mentira evidente na ordem dos dias/ lembro-me disso quando me deito/ de barriga para cima na secretária/ e quando cumpro tarefas/ em projectos essenciais// a minuta já está completa, senhor engenheiro/ falta apenas o senhor engenheiro assinar// uma faca nas mãos do tempo/ a assassinar a métrica dos dias/ tenho ganho muitas rugas nos testículos/ por mil euros ao fim do mês/ acho que os neurónios já se esqueceram de respirar/ pelo menos consigo pagar os créditos/ e ser feliz ao fim de semana.

E é crítico, ainda, em relação à ideologia vigente, ao estilo de vida burocrático e alienado que o oprime e diminui. É, por vezes, tão acidamente analítico que a própria escrita ao ser interrompida ainda assim continua como que não podendo parar e regista a sua interrupção, que é sempre uma interrupção de ser. Essa interrupção é, sempre, uma inutilidade, vem sempre de uma presença que apenas tem como objectivo fazer-se presente:
Estou sim, muito bom dia senhor engenheiro,/ faça o favor de dizer// (nada no espírito que valha a pena expressar/ a caneta resvala-me da mão enquanto me perco/ no infinito. O vazio do papel, um espelho,/ uma ausência enquanto atendo senhores engenheiros)// claro que sim, senhor engenheiro, sempre que o desejar// (uma carreira resplandece/ numa sociedade aberrante/ só para saldar as múltiplas despesas/ de uma vida aparentemente burguesa)// adeus, muito boa tarde, senhor engenheiro/ faça o favor de ligar sempre que quiser.

Em “Os nossos dias” entende-se que “apenas depois de tudo teres perdido/ és livre de tudo fazer”. É, ao mesmo tempo que decepcionada, uma escrita libertária, uma escrita de quem percebe o caminho que há a percorrer para se libertar dos grilhões do sem sentido que vigora. É, desta forma, uma escrita de protesto que denuncia “isto” e pressente o “para além disto”. Mesmo partindo da decepção e do assumir de algum conformismo, aponta a saída: “deixemos que nos cunhem o semblante/ eles que se fodam, mon amour/ eles que se fodam”. Mas, para além do conformismo é uma escrita resistente. Resiste precisamente ao sofá, no sentido em que o aponta como leito de morte de ser, como que quem tendo que descansar soubesse que descansa para continuar um “dia atrás do outro a caminhar errante/ pelo trilho da cegueira”, descontente, desiludido, mas consciente, acompanhado da memória, ainda na margem que oprime o rio, mas sempre no limite de saltar para a corrente selvagem: é uma escrita que tem permanentemente referente a opressão e por isso mesmo deixa pressentir sempre o limiar indizível da loucura, do limite, do momento em que só tudo pode ser abandonado.

Na falta de uma utopia

um grande nada enquanto engordo

refastelado na doença do corpo

a janela tem boa vista e o sofá

dá para deita. Posso sempre

puxar a mesinha de apoio

e descalçar-me de mim

Esta é uma escrita de abandono, mas que não se abandona, reencontrando nos “lugares antigos” aquilo que a permite olhar para “os nossos dias”, olhar-se a si e olhar para nós. Aqui está a memória, a memória usada: “O que nos fica de ontem/ são ruínas nebulosas/ imagens que emendamos/ conforme nos convém”. E está, também, na leitura, na nossa e na da própria escrita, através da qual passamos por outras escritas: de músicas, de palavras de outros textos, de imagens que ficam no fundo dos olhos.
É desta forma que, depois da decepção, do abandono, encontramos uma recuperação do ser, uma preocupação ontológica que respira por entre a crueza dos “nossos dias”: “recordas-te de ti/ quando tudo era azul/ quando ainda não te havias/ transformado numa ilusão?”. Talvez por isso, no fim dos “nossos dias” o sujeito se lembre do “porquê desta conversa”, e quando isso acontece, passamos, como no fim do livro entendemos, “de repente”, aos “lugares antigos”.

De repente

lembrei-me das cores de ontem

dos cheiros daquele presente

desse passado que é de novo agora

como se nunca tivesse deixado de ser

Como que um presente sempre

presente nesta memória de agora

agora e por agora/ porque de repente

a muleta do tempo tropeça

na vontade do teu regresso

De repente

Apresentação de Pedro Afonso

05/05/2009

Palavra Ibérica/Edita 2009

Arquivado em: ecos

Reportagem fotográfica de Inês Ramos.

01/04/2009

palavra ibérica (3)

Arquivado em: ecos

O encontro Palavra Ibérica sentido por Uberto Stabile.

23/02/2009

Apresentações na Trama

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: o filme da apresentação de Privado e Efeitos Secundários na livraria Trama.

16/02/2009

filmes na trama

Arquivado em: ecos

3 filmes. 3 poetas. Aqui. Aqui e Aqui.

13/01/2009

Revista Sulscrito na imprensa espanhola

Arquivado em: ecos

DIME SI TE DUELE
13/01/2009

MANUEL GARRIDO PALACIOS

De un tiempo a esta parte se suceden con notable frecuencia las publicaciones conjuntas entre Portugal y España y los actos en los que en ambos idiomas leen sus obras autores de los dos países vecinos. La palabra, herramienta básica, aquí ibérica más que nunca y con rango artístico, abrió fronteras antes de hacerlo la política. Diría que la palabra jamás las consideró cerradas, aunque lo estuvieran.
Hace nada ha salido a la calle el número 2 de Sulscrito, revista Literaria que, además de escritores de España y Portugal, incluye en su horizonte nombres de México, Guatemala, Angola y Cabo Verde. La labor editorial corre a cargo del Círculo Literario del Algarve, bajo la dirección de Fernando Esteves Pinto, João Bentes y Pedro Afonso, con ilustraciones fotográficas de Ángeles Santotomás y Paula Ferro.
La revista se divide en varios tramos. La imagen de portada se glosa en la Introducción como lema: “Diz-me se te dói. Dime si te duele… el cuerpo de resbalar por la ladera del tiempo en la búsqueda constante, si rasgas el nervio de la pregunta. Puedes hacer un puente para salvar la distancia, pero cosechar palabras no es un deporte, ni cargar con la incertidumbre crea músculos en el alma. Si te duele en lo hondo, observa la vida que se va, por la que preguntas. El dolor no se soporta; hiere el poema. No le huyas. Combátelo como si fuera una herida en la escritura. Ninguna palabra es posible si el dolor no abre el pensamiento. El tiempo se consume al ritmo de la memoria. Escribir es meter la cabeza en un agujero. Lo que sientes es la presión que te lleva de palabra en palabra en un sofoco infernal. Hay que abrir el horno de la imaginación y ocupar ese espacio contemplativo que sólo soporta la presencia de tu inspiración. Escribir es una forma de ocultar la mitad de uno mismo. ¿Qué mitad de ti es la que no escribes?”
Trae después un Dossier que luce un poema de Diana Almeida, fechado en Abano en 2004, y otros de Elisa Yorch: “Si el licor se me resbala / por las comisuras de mi sexo”, de Manuel Domingos: “A poesía quer-se a horas decentes”, de Antonio Orihuela: “Antes muertos que sencillos, que sobrios, que atentos, que tensados contra la injusticia”, de Pepe Varos: “Y he querido creer en tantas cosas / que si la arena, que si las brujas / que si la rosa cobalto, / que si el labio”, de Luis Filipe Cristóvão: “Da sabedoria”, de Eladio Orta: “En los arenales movedizos / de la resistencia poética / ladran los perros escondidos / en el ramaje profundo”, de Miguel Godinho: “Entre o real e o que nos ofrecem”, de Luis Pons Mora: “Hicimos de los susurros rayos / y caballos de los secretos / y galopamos en espiral”, y de Carmen Camacho: “Ya he probado / con todos los detergentes / pero ninguno saca / las miradas más difíciles / el invierno incrustado”. Amadeu Baptista (portugués) aporta textos junto a una sabrosa entrevista, y Rafael Camarasa (español), cuatro poemas; dos autores que obtuvieron el Premio Internacional de Poesía Palabra Ibérica 2008, convocado por el Ayuntamiento de Punta Umbría.
Las páginas siguientes están dedicadas a la pre-publicación de Espelho Negro, de Miriam Reyes, con traducción de Jorge Melicias: “He tenido mil hijos tuyos / por mi sangre revolotean / espermatozoides hambrientos de leucocitos / como vampiros intravenosos”; y como colofón, la revista Sulscrito ofrece un amplio corpus literario en prosa y verso, alternando los idiomas, a cargo de Rui Costa, Gil Pedro, José Manuel Vasconcelos, José Luis Tavares, Ivo Machado, André Sebastião, Rita Grácio, María do Rosario Pedreira, José Emilio Nelson, Fernando Aguiar, Rodrigo Miragaia, Agustín Calvo, Paulo Bandeira, José Rui Teixeira, Arturo Accio, Rui Días Simão, Ondjaki, Eduardo Halfon, Miguel Real y Verónica Palacios Rojas, con cuyos versos podría cerrarse esta breve panorámica: “Uno debería aprovechar la poesía / para hablar mal de la familia. / Ser feminista, burlarse un poco / de Narciso y de Edipo. // Uno debería utilizar la poesía / para hablar horrores de parientes mano larga, / de injustos maestros, de malos padres / y decisiones crueles”.
Cuando dicen que las revistas literarias pertenecen a una especie extinguida o a punto de desaparecer, sale en el Sur de Europa esta segunda entrega de Sulscrito, hoy en dos idiomas, mañana en los que se tercien, como nudo fuerte de palabras con la única meta de expresarse libremente. Y, más allá o más acá de los diferentes análisis que pudieran hacerse de los autores y de sus obras, el meollo de esta reseña se nutre de testimoniar el evento sin forzar línea alguna sobre “qué quiso decir cuando dijo lo que decía” en la página 12 o en la 100, que es la última; lo suyo es dar noticia de ello y mostrar serenamente su contenido. Trayendo versos de Rafael Delgado, le basta con “ser en el viento / sin peso / palabra o luz / y en el verso volar / sin sensación de cuerpo / elevado no distante / en un estado comparable / a la sonrisa más hermosa”.

12/11/2008

imagens

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: fotos salão do livro iberoamericano, Huelva. Aqui

21/10/2008

Maria do Sameiro Barroso - Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009

Arquivado em: ecos

O diálogo entre poetas contém rasto fértil da palavra, onde sempre fervilha a seiva estimulante da poesia.
Foi com grande alegria que recebi a notícia deste prémio. A poesia é algo visceral, em mim, é algo que irrompe ciclicamente, como uma necessidade fisiológica.

Por vezes, tenho a sensação de que vou segregando poesia e, como me dedico a várias actividades, tenho sempre muito pouco tempo, por vezes, preciso de parar, para passar para o papel toda essa energia, que não sei de onde vem, mas que vou acumulando.

Este livro foi organizado no final de Maio, altura em que fui para Sesimbra, para passar o Verão. Tinha um trabalho de História da Medicina para entregar, mas estava tão cansada que não o conseguia escrever. Então,
percebi que precisava mesmo de descansar, ir para a praia e escrever poesia.
Foi o que fiz. Escrevi metade de um livro novo e organizei esta colectânea, a partir de poemas dispersos e de outros, organizados já em núcleos temáticos. Escrevi alguns poemas novos. Foi um delicioso interlúdio
poético. O resultado pareceu-me bastante satisfatório. Gostei do livro e resolvi mandá-lo para o concurso que o Pen Club havia divulgado.
Foi muito bom saber que o livro ganhou este prémio, escolhido por um júri
altamente credenciado, cujos elementos muito admiro e estimo.

Maria do Sameiro Barroso

18/10/2008

apresentação na Trama

O texto da Inês que apresentou em Lisboa, na Trama, o ainda aqui este lugar de Pedro Afonso, AQUI

O texto de apresentação da revista Sulscrito não se registou, foi improviso em êxtase de Fernado Esteves Pinto.

28/09/2008

crítica (2)

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: a leitura de manuel. a. domingos sobre o livro Ainda Aqui Este Lugar, de Pedro Afonso.

27/09/2008

crítica

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: Ainda Aqui Este Lugar, livro de Pedro Afonso, lido pelo Henrique Fialho. No Volumen

12/09/2008

sulscrito

Arquivado em: divulgação, ecos

No tema de capa do suplemento Ípsilon do jornal Público, dedicado à poesia portuguesa, o Sulscrito aparece citado no contexto das revistas de poesia.

14/08/2008

Acercando Orillas

Escritores do Algarve, Andaluzia e Canárias na Feira do Livro de Faro, uma organização Sulscrito e Baile Del Sol.

O Adão esteve lá e filmou.

13/06/2008

à volta da mesa

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: Silvia Chueire em Bela Mandil. Na outra Margem.

fep

16/05/2008

ainda o edita 2008

Arquivado em: ecos

umas quantas fotografias, aqui.

14/05/2008

palavras na mesa

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: jantar de despedida do brasileiro Valdir Rodrigues no Chalé de Bela Mandil. Ver o filme e seguir as imagens.

fep

07/05/2008

micro relato edita08

A máquina devorou o cartão e por pouco não devorava o Fernando. Consegui agarrá-lo por uma perna e afugentar a máquina com um crucifixo.

Masquei umas folhas que se encontravam sobre a revista colombiana, que partilhava o mesmo posto de venda com o Sulscrito. Não deu para perceber muito bem.

Acho que a Jose Cuervo (oro) é a que melhora de forma significativa a minha pronúncia, especialmente a partir do terceiro copo. Mas a Cruzcampo também funciona.

Isto está bom é para eles, segundo dizem. E se está bom não leva sal.

joão bentes

06/05/2008

Edita (por aí) 2008

Arquivado em: ecos

Bicicleta

Mandrágora

BigOde

Canto Escuro

Uberto Stabile

23/03/2008

Mais Poesia Lida no Palavra Ibérica

Arquivado em: ecos

(selecção e vídeo de Adão Contreiras)

19/03/2008

Palavra Ibérica - poesia dita

Arquivado em: ecos

Mesa de poetas “En Femenino Plural”.
Poesia de Maria Gomez, Magarida Vale de Gato, Rosario Cabaña, Josefa Virella e Diana Almeida, dita pelas próprias (excepto a Margarida V. Gato, de quem os poemas foram lidos pela Diana Almeida):

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Mais imagens do Palavra Ibérica, via Adão Contreiras.

Mesa com os directores dos encontros “Correntes D’escrita” (Manuela Ribeiro) e “Voces del Extremo” (Antonio Orihuela) e a apresentação do livro “Pequena Antologia para o Corpo” de Luís Filipe Cristóvão:

17/03/2008

poesia dita no chalé João Lúcio (2)

Arquivado em: poemas, ecos

*

oh meu algarve
pareces manter
ainda assim
uma tendência incorruptível de azul
como céu
ainda
esse rasgão de cor
que nos ultrapassa
ainda sim
ainda por agora

de resto
oh meu algarve
és uma nódoa indelével
na conspurcada toalha
que é esta
que nos estenderam
no máximo como país

mais uma
oh meu algarve
mais uma nódoa
do que caiu da sobra da boca
de quem não olha ao que devora

oh me algarve
frúnculo de alcatrão e cimento
que calado rebenta
em areias de pus para um mar
que já não lava

de pernas abertas à invasão sazonal
que nunca te poupa
porque és barato e sem sentido
oh meu algarve
atravessam-te sem nunca olhar
o rosto que outrora tiveste
nem os rios te choram já
serras abaixo
restam-te as calçadas
peganhentas de cerveja
como lágrimas que se cristalizaram
sob os pés da indiferença

oh meu algarve
nem te lubrificaram na sodomização
e na dor silenciosa do teu corpo
fugiu-te a esperança e o grito
resta-te agora apodrecer
secar
nódoa desbotada
ao sol
que te dá a conhecer

*

venham
venham todos
besuntados de bronzeador
embandeirados de guarda-sóis
como que para reclamar
um pedaço de terra virgem
venham para o algarve no verão

venham todos
de corpos gordos e pendurados
da mamagem dos dias
de corpos esbeltos e magros
da labuta no ginásio
venham
para esse algarve de areia e mar
e de céu azul

venham todos
para a colónia de férias barata
para o aparthotel de segunda
para a casa a 1000€ a quinzena
ou para o resort de 25 estrelas
venham

venham todos
de inglaterra ou da holanda
da irlanda ou da alemanha
de lisboa ou do porto
de olhos vendados até ao quarto
que vos espera junto à praia
venham

temos muita cerveja e melancia
muita luz e noites quentes
muita areia e muita água
temos bares e discotecas
para os de primeira ou de segunda
até já temos música erudita
e festivais de tudo um pouco
graças a um “L” a mais no nome

venham venham todos
para o ano haverá mais
apartamentos para alugar
e rouba-se um pouco à praia
que a areia
essa
ainda não é a pagar
venham venham todos
entupam as estradas e o estacionamento
amontoem-se nas praias e nas piscinas

venham venham
venham comer o frango da guia
ou provar a amêijoa da ria
assar sardinha de espanha
e beber sumo de laranja prá ressaca
temos putas e camarão
tudo pago a meio tostão
para quem vier de cima

“temos palhaços e acrobatas”
experts em golfe e salva-vidas
no verão sabemos fazer
de tudo por vocês
falamos todas as línguas
pelos cotovelos

venham venham todos
não se acanhem
deixem cá um ordenado por semana
que isto pró ano estará tudo igual

Pedro Afonso

16/03/2008

Palavra Ibérica - Imagens (2)

Arquivado em: ecos

Mais videos do Palavra Ibérica 2008 da autoria do Adão Contreiras:

apresentação dos livros vencedores do prémio de poesia.

alguma poesia dita à noite pelos autores participantes:

Eladio Orta e Golgona Anghel.

Elisa York, Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené e João Bentes.

12/03/2008

Palavra Ibérica - imagens

Arquivado em: ecos

Imagens do Palavra.

11/03/2008

vozes ibéricas

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: mais duas vozes do encontro palavra ibérica.

27/02/2008

Allgarve 2008 ‘

Arquivado em: ecos

4 milhões…

19/02/2008

apanhado na rede

Arquivado em: ecos

ainda o ESPAÇO

20/01/2008

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede: informação sobre o Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica.

12/12/2007

Para tentar concluir

Arquivado em: ecos

Obviamente há um erro no poema. Demasiado evidente é a questão. Surgem-me duas possibilidades para o erro. Primeira: depois de ler do que foi comentado o que interessa, chego às palavras de Pedro Sousa, onde menciona “uma forma de segunda pessoa do singular advinda do uso oral da mesma”. Pois bem, o poema fala de memória, de remoto desconforto provocado por ela; é nesta leitura que lhe encontro sentido. No lugar onde vivo, desde que nasci, é rara a pessoa que não emprega oralmente o “ouvistes”, o “fostes tu”, e tal, suponho, não será endémico da Praia de Faro. Onde quero chegar é a reminiscência, a forma de subconsciente, mas nunca inconsciente, pois considero a escrita um acto voluntário (mesmo sendo de fruição imprevisível), e tudo isto tem a ver com o poema. Segunda: um erro na gramática que põe em evidência a falta de depuração. Sem alterar o objecto, a eliminação dos pronomes na primeira estrofe permite força semelhante no poema:

Dissestes puros os regatos da insónia
limpas e férteis clamastes as lamas do outro tempo
quando um pouco de nada calava a fome

Agora vazas as tuas horas entre caminhos gastos
colhes da água turva certos demónios de sal
dobrando a sombra dos peixes na tua memória

A diferença entre as duas estrofes leva-me ao seguinte: num primeiro instante acentua-se um distanciamento, e depois, por uma certa intimidade, conduz à sensação de perda de uma condição de respeito; daí o tom de resignação que lhe vejo, ou até mesmo de condenação.

Penso que a origem do erro estará nas duas possibilidades. Dominar a gramática não faz de alguém poeta. Ser poeta não é dominar a gramática.

Resta-me agradecer a quem foi (des)construtivo e a quem não o foi também. Errar é preciso, não tenho disso receio, e logo não me posso lamentar, embora me aborreça pela minha precipitação. Aprender do erro é como ir ao mar: quem não lá vai não pesca nada, e para pescar alguma coisa é preciso ir lá algumas vezes.

João Bentes

14/08/2007

divulgação

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede. A revista Sulscrito no México - Arturo accio.

13/08/2007

Apresentação da revista Sulscrito

Arquivado em: ecos

Apanhado na rede. Apresentação da revista Sulscrito na feira do livro de faro.











































Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Hadley Wickham